Angola

Geografia

País do Sul de África, oficialmente designado por República de Angola. Situado na costa ocidental, na transição entre a África Central e a África Austral, possui uma área de 1 246 700 km2. Faz fronteira com a República Democrática do Congo, a norte e a leste; a Zâmbia, a leste, e a Namíbia, a sul; a oeste, o país é banhado pelo oceano Atlântico. O enclave de Cabinda faz fronteira com a República do Congo, a norte, e a República Democrática do Congo, a leste e a sul, sendo banhado pelo oceano Atlântico, a oeste. A maior cidade é Luanda, a capital, com 4 511 000 habitantes (2009), seguida do Huambo (979 000 hab.), de Benguela (513 000 hab.) e do Lobito (805 000 hab.) (2009). A morfologia do solo caracteriza-se pela existência de planícies costeiras, às quais se seguem as montanhas intermédias e os planaltos interiores. Os principais rios são o Zaire e o Congo.
Clima

Dados a extensão e o relevo do território, Angola apresenta muitas variantes climáticas. Na faixa costeira e de Norte para Sul o clima é sucessivamente equatorial em Cabinda, tropical húmido, tropical seco e desértico quente em Moçâmedes. Nas regiões planálticas do centro do país, o clima tropical é moderado pelo efeito da altitude, pelo que as temperaturas são mais amenas.

Mais de 40% do território está revestido por floresta, mais densa no Noroeste, e, especialmente no enclave de Cabinda, existem também as savanas e as estepes. Menos de 10% da área total do país é arável.

Economia

A economia angolana reflete o estado de guerra quase constante desde há várias dezenas de anos. As principais fontes de receita do país provêm da exploração do petróleo e dos diamantes. Outros recursos minerais significativos são o ferro, o manganésio, o cobre e os fosfatos. O potencial hidroelétrico está entre os maiores da África. As principais produções agrícolas são a mandioca, a cana-de-açúcar, as bananas, a batata-doce, o café, o amendoim, o feijão e o sorgo. Os principais parceiros comerciais de Angola são os Estados Unidos da América, Portugal, o Brasil, a França e o Japão.

População

A população de Angola é de 13 300 000 habitantes (2011), a que corresponde uma densidade de 9 hab./km2. A taxa de natalidade é de 45,11%o e a taxa de mortalidade é de 24,2%o. A esperança média de vida atinge apenas 38,62 anos, um dos valores mais baixos do Mundo. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,377 (2001) (IDG sem dados). Estima-se que em 2025 a população de Angola seja de 17 405 000 habitantes.

A principal etnia é a Ovimbundo, que constitui cerca de 2/5 da população total do país e que fala umbundo. A Mbundo, a que corresponde 1/4 da população total, fala quimbundo. Outros grandes grupos étnicos são o Kongo, o Luimbé, o Humbé, o Nyaneka, o Tchokué, o Luéna, o Luchasi, o Lunda, o Nkhumbi e o Ngangela. A nível religioso, predominam o Catolicismo, o Protestantismo e as religiões tribais. A maior parte das pessoas fala banto, mas muitas outras línguas e dialetos indígenas são também falados. A língua oficial é o português.

História

Os navegadores portugueses chegaram a Angola em 1483 e depressa iniciaram a colonização do território. Foram criados entrepostos comerciais na colónia, que mais tarde serviram, inclusivamente, para o comércio de escravos.

A pacificação do território pela potência colonizadora foi uma tarefa demorada e complexa. Até 1930, a resistência armada no interior do país continuou a lutar contra o regime colonial e, na década de cinquenta, os movimentos nacionalistas tiveram o seu início. Nos anos 60 e 70, os movimentos de libertação lutaram contra a presença de Portugal e, na sequência do 25 de abril de 1974, a independência foi alcançada a 11 de novembro de 1975.

Após a descolonização, o país precipitou-se numa guerra civil avassaladora (1975-1991). A rivalidade entre o Movimento Popular para a Libertação de Angola, o MPLA (o partido do governo nacional, formado pelos Mbundo), e a União Nacional para a Independência Total de Angola, a UNITA (o partido dos Ovimbundo), fez o país completar trinta anos de guerra ininterrupta.

Usufruindo de apoio cubano e soviético, o MPLA ganhou, em 1975, as primeiras eleições oficiais depois da independência e passou a controlar a capital e as zonas de exploração petrolífera, enquanto a UNITA, contando com os apoios norte-americano e sul-africano, ficou com o controlo das zonas oriental e meridional do país.

Em 1989, as tropas cubanas retiraram e, em 1991, MPLA e UNITA assinaram a paz sob o patrocínio de Portugal, dos EUA e da União Soviética. Eleições livres multipartidárias realizaram-se no ano seguinte, sob o olhar atento da comunidade internacional. Após a vitória do MPLA, dirigido por José Eduardo dos Santos, a UNITA recusou-se a aceitar o resultado das eleições, alegando fraude. A luta iniciou-se novamente com hostilidades, sobretudo na capital. O progressivo desanuviamento da situação (com nítida desconfiança, porém, entre as partes) veio permitir, a prazo, a pacificação do país. Depois de complexas e arrastadas negociações que envolviam, entre outros problemas, a definição do estatuto de Jonas Savimbi, líder da UNITA, deu-se, em abril de 1997, a tomada de posse do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, integrando representantes dos dois maiores partidos.

A morte de Jonas Savimbi em 2002 e o consequente cessar-fogo com a UNITA têm levado à estabilidade no país, embora continuem a surgir focos de guerrilha em Cabinda.
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