Anish Kapoor

Escultor indiano, Anish Kapoor nasceu em 1954 e é um artista internacionalmente reconhecido e um dos mais influentes escultores da sua geração. Descendente de judeus iraquianos e de indianos, viveu na Índia e em Israel antes de se estabelecer definitivamente em Londres, em 1973, começando os seus estudos na Hornsey School of Art. Mais tarde, em 1977, transfere-se para a Chelsea School of Art, também em Londres, onde termina os seus estudos em 1978. A sua primeira exposição realizou-se na Galeria Patrice Alexandre, em Paris, em 1980. Mas foi a partir da exposição na Walker Art Gallery, Liverpool, em 1982, que o trabalho de Anish Kapoor começou a ganhar reconhecimento internacional.
Começou a sua produção artística, ainda na Índia, através da pintura, influenciado por artistas como Jackson Pollock, mas cedo a abandonou escolhendo a escultura. Apesar disso, a relação entre pintura e escultura está patente na sua obra. Já nos seus primeiros trabalhos usa a tridimensionalidade para explorar os princípios de superfícies e da visão ilusória que é característica da pintura cobrindo formas, feitas de materiais leves, como meias esferas, cones, pirâmides ou paralelepípedos com pigmento branco, vermelho, amarelo e azul. A escolha de usar cores primárias lembra a pintura, assim como o pigmento, que questiona a tridimensionalidade e a densidade das formas fazendo toda a superfície vibrar.
A direção do seu trabalho alterou-se quando, no final da década de 1980, se muda para um estúdio num rés do chão e começa a trabalhar materiais como a pedra e o metal, selecionando cuidadosamente os materiais pelo seu peso, volume e qualidades reflexivas, fazendo esculturas com superfícies côncavas e convexas, pequenos vazios ou cortes geométricos. São peças grosseiramente talhadas de formas grandes e abstratas, geométricas e orgânicas; algumas são polidas outras permanecem cruas, como se acabadas de sair do cinzel. Uma escultura de Anish Kapoor, que pode ser um bloco de pedra escavado e forrado com pigmento negro ou polido de modo a formar reflexos estranhos e distorcidos, certamente desperta os sentidos através das suas cores brilhantes e grandes formas. As suas esculturas evocam o sublime e provocam uma resposta intensa, tanto espiritual como física.
O seu trabalho centra-se na relação das formas e na tensão entre o positivo e o negativo, a luz e a sombra, o material e o imaterial. De facto, em Anish Kapoor, temos de falar de dualidade e não de oposição, isto é, não existe conflito nas diferenças mas sim pares que se juntam e criam algo mais, como o vácuo e a plenitude, o todo e o nada, a aparência e o ser que unem e dão à luz, dão vida.
Em 1987, o San Francisco Museum of Modern Art incluiu Kapoor na exposição "A Quiet Revolution: British Sculpture Since 1965", que passou pelos quatro museus norte-americanos.
O seu trabalho já foi exposto em todo o mundo e está presente nas maiores coleções de arte internacionais, entre as quais a do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e a do Hara Museum em Tóquio.
As suas exposições individuais incluem locais como Baltic Center for Contemporary Art, Gateshead; CAPC Musée d'art contemporain de Bordeaux; Centro Galego de Arte Contemporanea, Santiago de Compostela; Hayward Gallery, London; Schirn Kunsthalle, Frankfurt; Fondazione Prada, Milão; e DePont Foundation, Tilburg.
Em 1990 representou a Inglaterra na 44.a edição da Bienal de Veneza ganhando o Prémio Duemila. Logo no ano seguinte foi-lhe atribuído o prestigiante Turner Prize.
Como referenciar: Anish Kapoor in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-24 23:55:25]. Disponível na Internet: