Ano Negro em Wall Street (1929)

No primeiro ano da administração do presidente Herbert Hoover (1929-1933), as bases económicas dos Estados Unidos da América foram profundamente abaladas pelo pânico na Bolsa de Valores de 1929. Durante o boom económico do período do pós-Primeira Guerra Mundial, muitos americanos investiram as suas poupanças em movimentos especulativos.
A época de prosperidade verificada entre 1925 e 1929 desviava as atenções de uma estrutura económica frágil nos países industrializados. A atividade bolsista era bastante ativa, facilitada pelo crédito facilmente acessível e pela especulação. Mas em 1929 a crise económica era por demais evidente.
Assistia-se então à descida de preços do ferro e do cobre, ao crescimento dos stocks industriais, à descida dos lucros de indústrias como a automóvel. Em muitos países as taxas de desconto foram aumentadas para impedir a fuga de capitais; o acesso ao crédito tornava-se mais difícil. Em outubro de 1929 a incrível onda de compras, efetuadas durante a Administração Hoover, estava completamente saturada e deu então lugar a uma igual febre de vendas. Os preços caíram drasticamente, arrastando consigo uma imensidão de investidores que perderam todo o seu investimento.
Nesse mesmo mês estava iminente o colapso da Bolsa Americana. A quebra da cotação das ações na Bolsa de Nova Iorque ameaçava o influente Grupo Morgan, que aplicou grandes quantidades de dinheiro na compra de ações, não conseguindo, no entanto, travar a crise.
A 24 de outubro, o pior dia desta corrida de vendas, conhecido na história mundial como a "Quinta-Feira negra", cerca de 16 milhões e meio de títulos foram postos em circulação na Bolsa de Valores de Nova Iorque sem encontrarem qualquer tipo de procura por parte dos compradores. Esta situação gerou o pânico e o desespero, um sentimento que se alastrou a todo o Mundo. Não devemos esquecer que, depois da Primeira Guerra Mundial, grande parte do mundo europeu ocidental estava dependente dos empréstimos e dos capitais norte-americanos, essenciais à reconstrução dos países e suas economias. Meses depois destes acontecimentos, o Grupo Morgan deixou os títulos que comprara, vindo deste modo a agravar ainda mais a crise.
No final de 1929 a queda das ações atingira cerca de 15 biliões de dólares (valores da época).
Os pequenos acionistas, na impossibilidade de pagarem as dívidas contraídas, arrastaram consigo a falência de muitos bancos. O crédito, o consumo e os salários baixaram, enquanto que se multiplicavam as falências e as taxas de desemprego.
Em todo o Mundo se sentiu as repercussões desta crise, sobretudo os países dependentes do crédito americano. Os preços dos produtos agrícolas diminuíram, as matérias-primas e os alimentos foram afetados, as trocas industriais baixaram e o escoamento das produções era cada vez mais difícil.
Esta crise económica, conhecida por A Grande Crise do Capitalismo ou Ano Negro em Wall Street, acarretou fortes tensões sociais, nomeadamente de origem rácica; as taxas de nupcialidade registaram uma quebra e a idade de casamento foi por sua vez alterada.
O capitalismo entrava numa época de crise, pois tinha caído em descrédito com a explosão desta grave crise económica que degenerou numa multiplicidade de problemas de ordem social e política. A falta de credibilidade do sistema capitalista abriu caminho a um conjunto de ideologias e de propostas políticas de um teor mais conservador e consequentemente menos tolerantes ou recetivas à resolução de determinados problemas. Neste contexto de instabilidade surgiu, por exemplo, o fascismo na Itália, com Benito Mussolini, ou o nacional-socialismo na Alemanha, que evoluiu para o nazismo, um regime fascista liderado por Adolf Hitler.
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