antítese (retórica)

Figura de pensamento em que se exprimem ideias opostas através de termos que semanticamente possuem traços antagónicos, com o objetivo de destacar uma ou ambas as ideias ou surpreender o leitor com uma descrição inesperada daquela realidade. Enquanto processo literário, a antítese não confronta imagens dialeticamente opostas; cria, sim, contrastes que exprime por entidades linguísticas bipolares, em simetria. Não deve confundir-se com o oxímoro, na medida em este exprime a contradição dentro da própria expressão, uma vez que liga imagens que naturalmente se excluem. A antítese exprime frequentemente as contradições da alma, o dilema do amor e os seus efeitos:
"Sem saber como vivo tristemente
Mas contente, porém, de minha sorte."
(Camões, Lírica, "Dai-me uma lei, Senhora, de querer-vos")
"Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente.
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer."
(Camões, Lírica, "Amor é fogo que arde sem se ver")
"Aquela triste e leda madrugada"
(Camões, Lírica, "Aquela triste e leda madrugada")
Como referenciar: Porto Editora – antítese (retórica) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-10-18 06:34:23]. Disponível em