António

Autor de banda desenhada e caricaturista (o mesmo que cartoonista ou cartunista) português, António Moreira Antunes nasceu a 12 de abril de 1953, em Vila Franca de Xira.
A sua atividade como caricaturista iniciou-se a 16 de março de 1974, no jornal República, realizando tiras cómicas. Em dezembro do mesmo ano começou a sua longa colaboração com o semanário Expresso, fundado em janeiro de 1973. Entre 1975 e 1976 produziu para o Expresso uma BD satírica intitulada Kafarnaum, mais tarde editada em álbum, em paralelo com o trabalho de caricatura que aí desenvolvia.
Nesse jornal demonstra todo o seu talento e evolução gráfica, primeiro a preto e branco no caderno principal, depois a cores na última página do suplemento "A Revista", durante o período em que ilustrou a coluna "Afetos", crónicas mordazes de João Carreira Bom, depois ainda figurando na primeira página do caderno principal, onde retrata de forma ímpar um dos principais acontecimentos da semana. Foi numa ilustração de uma crónica de João Carreira Bom que António representou SS o Papa João Paulo II com um preservativo no nariz (em 1992), no que terá sido, porventura, o seu trabalho mais polémico. Para além das Caricaturas de políticos ou situações que se tornaram famosas (como as relações entre Mário Soares e Cavaco e Silva), António tem uma série de notáveis "retratos" de alguns dos nomes maiores de áreas como a literatura ou a ciência, como Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Virgílio Ferreira, Umberto Eco e Sigmund Freud.
Para além do Expresso, António tem trabalhos publicados em periódicos tão diversos como Vida Mundial, Diário de Notícias, A Capital (1976), Diário Popular e Mundial (1996), para além de ter colaborado com a RTP (Radiotelevisão Portuguesa) e a Câmara Municipal de Lisboa, fazendo sete pastiches de pinturas contemporâneas, em 1993.
Tem vários livros editados, que constituem compilações dos seus trabalhos publicados na imprensa periódica, sobretudo os do Expresso. Desde logo Kafarnaum (1976), Suspensórios (1983), Álbum de Caras I e II (1985 e 1987), 20 Anos de Desenhos (1994), António - Desenhos Satíricos 1974-2000 (2000), os álbuns coletivos (que também incluem os trabalhos de Cid, Maia e Vasco) 25 dos 4 (1999) e Cartoons do Ano (1999, 2000, 2001, 2002 e 2003).
Realizou diversas exposições individuais em Portugal, como a comemorativa dos seus primeiros vinte anos de caricaturista, no Casino Estoril (1994), mas também no Brasil, na Alemanha, em Espanha e em França. Marcou presença também em muitas mostras coletivas em que esteve presente, para além das sessões de trabalho com caricaturistas asiáticos a convite da UNESCO, em Kuala Lampur, Manila e Cebu, em 1989.
É considerado o mais reputado caricaturista português, tendo recebido, entre outros galardões, o Grande Prémio do Salon International de Cartoon de Montreal, Canadá (1983), 1.º Prémio Cartoon Editorial do Salon International de Cartoon de Montreal, Canadá (1986), Grande Prémio do Salão Nacional de Caricatura (1988, 1989 e 1992), Prémio Cartoon de Imprensa do Salão Nacional de Caricatura (1990, 1991, 1994 e 1995), Prémio Nacional de Cartoon do Clube de Jornalistas (1992), Grande Prémio de Honra do Festival du Dessin Humoristique de Anglet, França (1993), Award of Excelence - The Best of Newspaper Design da SND de Estocolmo, Suécia (1998), o Prémio Internazionale Satira Politica de Forte Dei Marmi, Itália (2002) e o Prémio Stuart de Desenho de Imprensa (2005).
Os seus trabalhos são bastante apreciados nos Estados Unidos da América (EUA), sendo aí distribuídos pelo Cartoonists & Writers Syndicate, de Nova Iorque, estando a sua obra referenciada em importantes antologias de caricatura dos EUA.
Como referenciar: António in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-13 12:05:33]. Disponível na Internet: