Antonio Candido

Ensaísta brasileiro, António Cândido de Melo e Sousa, que assina as suas obras apenas com os dois primeiros nomes e sem acentos, nasceu no Rio de Janeiro em 1918. Frequentou as faculdades de Direito, que abandonou no quinto ano, e de Filosofia, ingressando em 1942 no corpo docente da Universidade de São Paulo como professor assistente de Sociologia. Em 1945 obteve o título de livre-docente de Literatura Brasileira com a tese Introdução ao Método Crítico de Sílvio Romero, na qual o ponto de vista sociológico que marcou a sua formação inicial é superado por uma crítica integrativa que privilegia critérios especificamente literários. Decidindo em 1958 dedicar-se exclusivamente à literatura, assumiu o cargo de professor de Literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1959 publicou os dois volumes de Formação da Literatura Brasileira, considerada ainda hoje uma obra de consulta fundamental para o estudioso da literatura e da cultura brasileiras. Na sua obra salientam-se também os ensaios sobre Graciliano Ramos reunidos em Ficção e Confissão (1956).
Em Antonio Candido, as facetas de professor, crítico e cidadão são indissociáveis, caracterizando-se as suas posições políticas, por um lado pela resistência democrática aos períodos ditatoriais, nomeadamente ao governo de Getúlio Vargas e ao regime militar, por outro, pela afirmação de uma identidade socialista. Neste sentido, colaborou em várias publicações, de que se destaca a revista Clima, em cuja fundação desempenhou papel importante em1941, e participou em movimentos políticos, entre os quais o Partido Socialista Brasileiro e o Partido dos Trabalhadores (PT), de que é membro fundador. No entanto, é preciso ressalvar, para ele, «Assim como não é possível haver equilíbrio psíquico sem o sonho, talvez não haja equilíbrio social sem literatura.». Recebeu o Prémio Camões em 1998.
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