António Cardoso

Escritor angolano, António Mendes Cardoso nasceu a 8 de abril de 1933, em Angola, e faleceu em 2006. Embora tenha colaborado na revista "Mensagem" (1950-53), está muito mais ligado à revista "Cultura II" (1957-61), a cujo corpo redatorial pertenceu e onde se vai integrar com os outros elementos da sua geração.
Pela linha temática que sempre seguiu, António Cardoso foi diversas vezes encarcerado em variadas prisões de Luanda e no mítico Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde).
Depois da Independência de Angola, desempenhou funções superiores na Rádio Nacional, na Secretaria de Estado da Cultura e foi Secretário-Geral da União de Escritores de Angola. A sua produção literária é vasta e toda a sua colaboração está dispersa pela imprensa angolana, portuguesa e outras.
Pela sua forte influência, António Cardoso está representado em várias Antologias de Língua Portuguesa e de outros países europeus.
Os seus primeiros textos estão reunidos em Poemas de Circunstância, obra com a qual António Cardoso se estreia no mundo literário angolano em 1961.
A sua produção literária vem, como já foi dito anteriormente, desde a revista "Mensagem", mas é, sem dúvida, com a posterior revista "Cultura II" que este autor explora e expõe todas as suas preocupações e intenções literárias e pessoais.
Pelo facto de ter estado preso durante bastante tempo, o seu espaço de enunciação ficou muito ligado à cela (ou às celas) por onde passou. Contudo, tal como muitos dos seus companheiros de Geração, António Cardoso dedicou toda a sua produção literária às verdadeiras necessidades de um povo angolano oprimido pela potente voz e força do colonialismo. Tal como muitos membros da Geração da Cultura, também ele pretendeu contribuir eficazmente para dar a conhecer a verdadeira Angola, os seus problemas, a sua riqueza humana, os seus desejos, no fundo, a sua vida mais própria. É uma literatura que se vira para o coletivo, para o povo inteiro, e fala das mais diversas tonalidades da vida angolana: desde o amor, o respeito, o mimo, até ao desprezo, à provocação e à raiva.
Grande parte da poesia de António Cardoso parece revelar uma forte vontade de se refugiar nos tempos antigos, nos tradicionais valores afetivos, de harmonia, distorcendo, deste modo, o sentido do real, da verdadeira vida e realidade angolanas. Por outro lado, António Cardoso avançou com a produção de uma criação inteiramente pura, já não submetida aos modelos literários europeus, mas sim livre de constrangimentos, verdadeiramente angolana em todos os sentidos. Desta forma, a sua produção literária anuncia e incentiva à revolta, ao combate - contra a opressão colonial, contra o abafar de sentimentos e realidades do seu povo, contra a anulação cada vez maior das verdadeiras vidas, desejos, modos de ser e ambições do coletivo angolano.
Havia que definir os verdadeiros traços para se chegar à tão desejada Angolanidade. Para tal, António Cardoso e todos os seus companheiros encontraram na própria língua portuguesa (a língua que lhes fora imposta pelo próprio colonizador, que eles agora combatiam) o meio de comunicar os desejos e as reivindicações do povo. A língua, arma, usada é a mesma, mas está agora "moldada" por um sentimento e uma expressão muito próprias e ao serviço do outro lado - o do colonizado.
António Cardoso dedicou toda a sua produção ao povo angolano, às suas necessidades; luta por e com ele. Pretendeu e empenhou-se, assim, na exposição e divulgação da "acusação", da "denúncia", do "desmascarar" de uma visão e literatura extremamente simbólicas e "disfarçadas" sobre a vida real do povo angolano.
Como referenciar: António Cardoso in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-17 06:01:47]. Disponível na Internet: