António Enes

Jornalista, crítico, dramaturgo e político português, António Enes nasceu em 1848, em Lisboa, e morreu em 1901, na mesma cidade. Autor de A Guerra e a Democracia, Considerações sobre a Situação Política da Europa (1870) e A Guerra de África em 1895 (1898), foi deputado, conselheiro de Estado, embaixador de Portugal no Brasil, ministro da Marinha e do Ultramar, comissário régio em Moçambique e ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo nesta qualidade negociado com a Inglaterra após o Ultimato inglês de 1890, mas destacou-se como um dos teorizadores do Realismo-Naturalismo. Frequentou o Curso Superior de Letras, que concluiu com distinção, defendendo a tese A Filosofia Religiosa do Egito, em 1868. Trabalhou como empregado de escritório e iniciou a sua atividade jornalística como redator da Gazeta do Povo. Foi redator e proprietário do Jornal do Comércio, onde assinava a rubrica de crítica literária, colaborador na revista Artes e Letras e fundador de O Dia, onde, aquando do Ultimato inglês, assinaria uma vasta campanha jornalística contra o tratado com a Inglaterra, sentido como um ultraje à dignidade da nação portuguesa, no que foi um fiel intérprete da opinião pública. Em 1875, iniciou com o drama Os Lazaristas o seu percurso de dramaturgo, sendo então chamado à pasta da Marinha e do Ultramar. Em 1886, foi nomeado biblitecário-mor da Biblioteca Nacional, sucedendo a Mendes Leal. A defesa da estética realista não o impediu de criticar o que considerava serem os abusos da sua aplicação: "a cópia servil, plana, mecânica das formas naturais" e a representação exclusiva de "o feio, o vil e o grotesco" (in Artes e Letras).
Como comissário régio para Moçambique em 1891, tinha como objetivo elaborar uma campanha sistemática contra os Vátuas, império de Gungunhana. Esta campanha alcançou resultados brilhantes, através dos feitos militares de Magul e de Coolela. Com o auxílio de Mouzinho de Albuquerque (que nesta campanha também alcançou grande renome), efetuou-se a prisão de Gungunhana, em 1895.
Entre outras demonstrações de apreço dispensadas pelas instituições da nação, António Enes foi condecorado com as insígnias da Torre e Espada e eleito sócio benemérito da Sociedade de Geografia de Lisboa.
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