António José da Silva

Poeta, comediógrafo e advogado, dito o Judeu, nasceu em 1705, no Rio de Janeiro, e veio a ser executado em 1739, em Lisboa. É considerado o dramaturgo português mais importante entre Gil Vicente e Almeida Garrett.
Originário de uma família de cristãos-novos, perseguida pela Inquisição, facto que lhe valeu a alcunha de "o Judeu", chegou do Rio de Janeiro a Portugal, com 8 anos, para o julgamento de sua mãe. Este incidente permitiu-lhe estudar em Lisboa e mais tarde em Coimbra, onde se formou em Direito (1728). Em 1726 foi preso pelo Santo Ofício juntamente com a mãe e libertado meses depois. Pouco tempo após a sua estreia no teatro, em 1733, o comediógrafo casou-se com uma prima judia de quem teve uma filha. Quatro anos depois, foi novamente encarcerado com a família, acusado de judaizante. A mulher e a filha foram libertadas e refugiaram-se na Holanda, mas A. J. da Silva foi garrotado e queimado em auto de fé, sob acusação de judeu convicto, negativo e relapso.
As suas comédias foram escritas em prosa, embora com alguns recitativos poéticos, e destinavam-se à representação essencialmente por bonifrates. Situa-se a sua obra na transição da comédia espanhola para o melodrama italiano. Calderon, Tirso de Molina e Lope de Vega foram algumas das influências sofridas.
No Teatro do Bairro Alto foram representadas algumas das suas comédias, em que incluía números musicais: Esopaida ou Vida de Esopo (1734), Os Encantos de Medeia (1735), Labirinto de Creta (1736) e Guerras do Alecrim e Manjerona (1737).
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