António Panguila

Poeta e jornalista angolano, António Francisco Panguila nasceu no dia 15 de julho de 1963, em Luanda, e passou a sua infância em Kitata, Kibala, na província do Kuanza-Sul.
Licenciou-se em Ciências da Educação, em História, pelo Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED) da Universidade de Luanda Agostinho Neto, onde apresentou um ensaio intitulado " Impacto Histórico-Literário do Ohandanji".
A sua formação académica na área da História, abriu-lhe as portas da docência no Ensino Secundário, durante um período de tempo. Integrou o coletivo literário "ohandanji", formado pelo grupo de jovens poetas que começaram por publicar no suplemento cultural do Jornal de Angola e na gazeta Lavra e Oficina da U.E.A. e que, posteriormente, para enfrentar as dificuldades, publicaram uma coleção policopiada intitulada Katetebula/Semi-breve.
Membro da Brigada Jovem de Literatura de Luanda (BJLL), foi seu secretário para a organização e finanças, entre 1984-1987; secretariou as atividades editoriais entre 1987 e 1990; foi secretário adjunto de 1990 a 1993; e assumiu as funções de vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral entre 1993 e 1998.
Membro da União de Escritores Angolanos (UEA), desde 1995, desempenhou as funções de secretário do Conselho Fiscal e de secretário de Administração e Finanças, entre 1998 e 2000. Posteriormente assumiu o cargo de secretário para as atividades culturais.
Em 1996, venceu a primeira edição do Prémio Literário de poesia "Cidade de Luanda", promovido pelo Governo Provincial de Luanda, aquando das comemorações dos 400 anos da fundação da cidade de S. Paulo de Luanda.
Desde 1998, pertence ao Comité de Honra da Brigada Jovem de Literatura de Angola (BJLA) que ajudou a fundar.
Como jornalista, tem colaborado em vários jornais e revistas nacionais e estrangeiros, nomeadamente o Jornal de Angola, a revista novembro, o suplemento moçambicano Domingo e a revista Cassendo da Associação Angola-Portugal.
Escritor da "novíssima geração", dos anos 80 e 90, António Panguila projeta nos seus textos poéticos as incertezas contidas num espírito abalado por uma situação que arrasta consigo a fome, a miséria, a corrupção e a opressão e que a independência do país já deveria ter banido.
Destruídos e desmistificados os referentes revolucionários que caracterizam a poesia das décadas de 60 e 70, a literatura desta geração de 80, denominada por Luís Kamdjimbo como a "Geração das Incertezas", vai refletir, através de um sujeito poético frustrado e psicologicamente constrangido, a angústia provocada pelo status quo implementado na era pós-colonial. Temática recorrente na obra do autor, esta desilusão angustiante do "eu lírico" resulta não só da experiência vivencial do tempo presente, em que a exploração das imensas riquezas angolanas está concentrada nas mãos de poucos, mas também e fundamentalmente, na dúvida que, por vezes o assola em relação a um tempo do futuro, onde a tensão social não dará lugar ao nascimento do amor.
Tendo já conquistado os meios literários, a sua obra figura, entre outras, nas antologias de Lopito Feijóo: No Caminho Doloroso das Coisas - Antologia de Jovens Poetas Africanos (1988) e Sinais de Aurora (1990).
Escreveu dois livros de poesia: O Vento do Parto (1993) e Amor Mendigo (1997).
Como referenciar: António Panguila in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-02-20 23:13:23]. Disponível na Internet: