António Pedro Vasconcelos

Realizador e crítico de cinema português, António Pedro Saraiva de Barros e Vasconcelos nasceu a 10 de março de 1939, em Leiria. Fez os estudos liceais em Coimbra, Lisboa e Santo Tirso, e em 1957 ingressou na Faculdade de Direito de Lisboa, que frequentou durante três anos, acabando por não concluir o curso. Através de um concurso de críticas aberto pelo Cineclube Universitário de Lisboa, começou a escrever nos seus boletins, acabando por fazer parte da Direção de 1958 a 1960. Escreveu na revista Imagem, convidado por José Ernesto de Sousa, e, como seu assistente, trabalhou em filmes de publicidade. Em 1961, estagiou como jornalista, durante alguns meses, no República. Na qualidade de bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, partiu, em outubro de 1961, para Paris. Aí, frequentou um curso de Filmologia na Sorbonne. Regressou a Portugal passados dois anos, voltando a colaborar em Colóquio e em O Tempo e o Modo e a trabalhar em filmes de publicidade. Em 1967, dirigiu A Indústria Cervejeira em Portugal, aquele que foi propriamente o seu primeiro filme. Seguiram-se outros documentários: Exposição de Tapeçaria (1968) e Fernando Lopes-Graça (1971). Fundador do Centro Português de Cinema, foi para essa entidade que rodou a sua primeira longa-metragem, Perdido por Cem... (1973). Outras obras de destaque se seguiram: Adeus Até ao Meu Regresso (1974), Oxalá (1981) e O Lugar do Morto (1984), que foi galardoado com o Prémio I.P.C.em 1984 e constituiu um enorme sucesso nas salas de cinema. António Pedro Vasconcelos foi chefe de redação da revista Cinéfilo, em 1973-1974, e professor de Montagem na Escola de Cinema do Conservatório, entre 1978 e 1981. Para além de realizador, exerceu outras funções técnicas, tais como montador, co-argumentista e produtor executivo. De 1991 a 1993, desempenhou o cargo de presidente do Secretariado Nacional para o Audiovisual. Em 1992, dirigiu um filme de época Aqui D'El-Rei (1992), mas os resultados comerciais foram desastrosos. Em 1999, o seu filme Jaime, que expõe de forma excecional o problema da exploração do trabalho infantil, ganhou o Prémio Especial do Júri no Festival Internacional de Cinema de San Sebastian. Quatro anos depois, dirigiu o policial Os Imortais (2003), proporcionando excelentes interpretações a Nicolau Breyner e Paula Mora.
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