António Pinho Vargas

Compositor e pianista português, António Pinho Vargas nasceu em 1951, em Vila Nova de Gaia. É músico desde 1974, ano em que começou a tocar jazz e música improvisada, tendo passado um pouco por toda a Europa, Estados Unidos da América, Macau, Cabo Verde e África do Sul, ao mesmo tempo que prosseguia os estudos. Acabou por se licenciar em História pela Faculdade de Letras do Porto e tirar o Curso Superior de Piano do Conservatório de Música do Porto.
Em 1983, ano em que fez a sua primeira composição, gravou o disco de estreia, chamado Outros Lugares. Seguiu-se, dois anos depois, o lançamento de Cores e Aromas e, em 1987, As Folhas Novas Mudam de Cor. Neste último ano, iniciou estudos de composição no Conservatório de Roterdão, na Holanda, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Viria a obter o diploma em 1990.
António Pinho Vargas também compôs música para peças de teatro, dança e cinema. No teatro estreou-se com Hamlet, em 1987, uma peça de William Shakespeare encenada por Carlos Avilez. Em 1988, a banda sonora do filme Tempos Difíceis, do realizador português João Botelho, recebeu o prémio do Instituto Português de Cinema para a melhor música de cinema. Ainda nesse ano compôs Três Fragmentos para clarinete solo, peça que foi estreada por António Saiote.
Ao longo dos anos seguintes, elaborou várias composições que foram sendo estreadas em diversos países, com principal incidência na Holanda.
Em 1989 lançou mais um disco, Os Jogos do Mundo, a que seguiu, em 1991, Selos e Borboletas. Neste mesmo ano, começou a dar aulas de composição na Escola Superior de Música de Lisboa.
Em 1993, voltou a fazer música para cinema e de novo para um filme de João Botelho, desta vez Aqui na Terra, experiência repetida três anos depois, mas agora para um filme de José Fonseca e Costa, Cinco Dias, Cinco Noites. Esta última banda sonora valeu a António Pinho Vargas o prémio de melhor música de cinema do Festival de Gramado, no Brasil.
Entretanto, em 1995, já tinha sido condecorado pelo presidente da República, Mário Soares, com a Comenda do Infante D. Henrique.
Depois de uma pausa de cinco anos, em 1996 voltou a gravar um álbum, intitulado A Luz e a Escuridão, que foi feito em parceria com a cantora Maria João e com o saxofonista José Nogueira, fiel acompanhante do compositor ao longo da sua carreira.
Embora seja mais conhecido através dos seus registos discográficos, o compositor e pianista fez imensos trabalhos por encomenda de diversas e prestigiadas instituições, como, por exemplo, a Fundação Gulbenkian, a Culturgest do Porto, a Câmara do Porto, os Encontros de primavera de Guimarães e a Expo 98.
O compositor, entretanto, nunca deixou de estudar e frequentou cursos e seminários de composição com os portugueses Jorge Peixinho, Emanuel Nunes e Álvaro Salazar e alguns estrangeiros, como John Cage.
Em 2001, volta a colaborar numa película cinematográfica, o filme Quem és tu?, de João Botelho.
No ano de 2004, o Instituto Camões aprovou o apoio à divulgação das partituras de António Pinho Vargas. Esses apoios abrangem também o CD Os Dias Levantados, uma ópera sobre o 25 de abril de 1974, lançada no Teatro de S. Carlos, e o livro Sobre a Música, da sua autoria. O registo da ópera é o primeiro do género num músico português do século XX e é baseado no espetáculo do Festival dos Cem Dias, por altura da Expo 98, em Lisboa. Nesta edição, participaram os nomes mais sonantes do canto lírico nacional como Carlos Guilherme, Jorge Vaz de Carvalho, Luís Rodrigues, Ana Ester Neves, Ana Paula Russo, Elvira Ferreira, e jovens valores emergentes, o contratenor Nicolau Dominguez e o barítono Paulo Ferreira.
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