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António Quadros (pintor)
Pintor e escritor português, António Augusto Melo Lucena Quadros, criador dos heterónimos João Bernardo Grabato Dias, Ioannes Garabatus e de Mutimati Barnabé João, nasceu a 9 de julho de 1933, em Santiago de Besteiros (Viseu).
De uma família de médios proprietários rurais, António Quadros frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa, tendo sido transferido, posteriormente, para a Escola de Belas Artes do Porto, onde se diplomou em Pintura com a tese Óleo sobre Tela de Serapilheira, em 1961. Nesta mesma escola exerceu o cargo de docente, como convidado. Em 1958 e 1959, vai para a Escola de Belas-Artes de Paris, onde cursou Gravura e Pintura a Fresco, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.
Expôs individual e coletivamente em Portugal, Moçambique, Paris, Barcelona, Génova, S. Paulo, Lugano, Roma, Pretória, Durban, Bruxelas, Hanôver e Madrid. Ganhou vários prémios dos quais se destacam Prémio da Crítica (1969), de Paris, e o Grande Prémio da Fundação Calouste Gulbenkian (1958/59). As suas pinturas fazem parte da coleção permanente da Fundação Calouste Gulbenkian e de particulares, nacionais e estrangeiras.
Influenciado por Picasso, Chagall, pintores mexicanos e surrealistas latino-americanos, António Quadros fez abordagens picturais que vão desde o imaginário fantástico rural às figuras grosseiras de olaria de Barcelos, local onde descobriu Rosa Ramalho, até então desconhecida.
No início dos anos 60, desencantado com o regime ditatorial e o com o conformismo de Portugal, o pintor parte para Moçambique onde lecionou no secundário e na Universidade de Mondlane, em Maputo.
Surge, então, o primeiro dos seus heterónimos, João Pedro Grabato Dias, que publicou, em 1970, o primeiro livro: 40 e Tal Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada. Seguiram outros, como A Arca - Ode Didática na Primeira Pessoa. Tradução do Sânscrito Ptolomaico e Versão Contida do Autor (1971), Meditação, 21 Laurentinas e Dois Fabulírios Falhados (1971), Facto/Fado. Pequeno Tratado de Morfologia. Parte VII (1985), Sete Contos para um Carnaval (1992). Em 1971, Grabato Dias, juntamente com Rui Knopfli, cria a revista Caliban, em sequência do período de luta armada que rejeitava quaisquer edições associativas.
No começo da década de 70, António Quadros cria outro heterónimo, um poeta quinhentista, Ioannes Garabatus que escreveu uma epopeia satírica e de sentimento anti-epopeico, com 11 cantos e 1180 estâncias, As Quybyrycas. Poemas éthyco em outavas, que corre sendo de Luís Vaaz de Camões em Suspeitíssima Atribuiçon (1972).
Numa fase mais revolucionária, António Quadros dá nascimento a um outro heterónimo, Mutimati Barnabé João, um guerrilheiro morto em combate ao lado do qual se encontra um livro de vinte e sete poemas, Eu, O Povo (1975), que corporiza a voz coletiva do povo moçambicano ansioso de liberdade. Esta obra serviu de canção a Zeca Afonso para quem António Quadros colaborou como letrista, assim como para Amélia Muge.
Para além de escritor e pintor, Quadros torna-se um especialista em apicultura, descobrindo mesmo uma nova abelha; regista, com precisão antropológica, os costumes das diferentes etnias de Moçambique; ajuda a fundar a Faculdade de Arquitetura moçambicana; conhece o pintor Malangatana Valente, na altura desconhecido, a quem ensina várias técnicas de pintar, desde a gravura até às formas mais complexas e eruditas. Embora português, Quadros contribuiu muito para a Arte e Literatura Moçambicana.
Em 1983, António Quadros regressa a Portugal, onde não sendo aceite na Escola de Belas-Artes do Porto, vai lecionar Desenho para a Faculdade de Arquitetura do Porto. Numa passagem pelo Algarve, em Porches, fez cerâmica e pintura e, mais tarde, lecionou Desenho no polo de Viseu do curso de Arquitetura da Universidade do Porto. Faz, ainda, algumas exposições coletivas e uma individual, em Viseu e Lisboa, respetivamente, e experimenta, numa atitude inventiva e imaginativa, desenhos com o rato do computador.
António Quadros morreu em casa, em Besteiros, em 1994.
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