apatia

Etimologicamente, apatia designa ausência de males e paixões (páthos = paixão, tudo o que afeta o corpo e a alma). Tanto pode significar ausência de dor, de sofrimento, de doença, como ausência de paixão, de emoções agradáveis ou desagradáveis.
Aristóteles, usou o termo apatia (apatheia) com o significado de impassibilidade, imperturbabilidade; o médico e filósofo Galeno (no século II) empregou o mesmo termo apatia no sentido somático, referindo-se à ausência de lesão. Em Psicologia, a apatia é um transtorno de afetividade que se caracteriza pela impassibilidade de espírito, por um estado de indiferença perante as pessoas ou os acontecimentos, e que implica uma alteração na capacidade de expressão afetiva perante uma série de estímulos externos e internos. Em psiquiatria, a apatia de muitos pacientes, resulta, muitas vezes, de lesões cerebrais.
A filosofia estoica, com Zenão, seguiu o sentido aristotélico, considerando a apatia para expressar um estado de espírito ideal caracterizado pela natural aceitação dos acontecimentos, sem reações emotivas. Para o estoicismo, a apatia define-se como ausência de paixão e permite a liberdade, mesmo sendo escravo. Na sua conceção, a felicidade só se alcança se houver uma disposição de alma que permita ao sujeito ser emocionalmente indiferente aos acontecimentos que afetam o seu viver.
A atual definição de apatia segue o estoicismo e caracteriza-se por um estado de indiferença ou imperturbabilidade perante os acontecimentos.
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