Apogeu e Declínio dos Otomanos (sécs. XV-XVIII)

A dinastia dos otomanos tem o seu início com Osman I, que sobe ao trono em 1281, dando-lhe o seu nome (Osmanlis). O apogeu deste império fundado no século XIII foi alcançado cerca de 1453, com a conquista de Constantinopla, o que permitiu unificar todo o território imperial (estendeu-se até 1566) à custa de um longo processo de conquistas e de um enorme poder militar. Estabeleceram-se em Constantinopla e nos Balcãs, consumando uma verdadeira vitória dos Islâmicos sobre os Católicos empreendedores de cruzadas que tiveram lugar durante os séculos XII e XIII. Assim, os Turcos otomanos constituíram uma força que representava um perigo permanente para a Europa cristã. Este perigo foi real até aos inícios do século XVIII, altura em que o império entrou em declínio.
Com Maomé II iniciaram a conquista em diversos planos e, como consequência, assenhorearam-se da Sérvia em 1458-59; na Arménia tomaram o Estado grego de Trebizonda em 1461; ocuparam a Bósnia e a Albânia em 1463; no mar Negro arrebataram a Crimeia aos Genoveses em 1475; todas as possessões de Genoveses e Venezianos no Mar Egeu caíram nas mãos dos Otomanos; chegaram a instalar-se no Sul da Itália em 1480; tomaram parte da Moldávia em 1484; submeteram parcelas da Albânia e da Dalmácia. Apenas o rei da Hungria, Matthias Corvin, pôde fazer frente ao avanço Turco, mas logo em 1499 os Turcos conseguiam uma estrondosa vitória sobre os Venezianos em Lepanto. Mahomet II passou à História como um dos menos escrupulosos conquistadores.
Com o sultão Selim I, que governou entre 1512 e 1520, houve uma espécie de trégua para os países do Ocidente porque as suas ambições concentravam-se no Oriente e na união de todos os povos muçulmanos sob o seu poder. Assim, anexa a Síria e o Egito e submete Meca. Seria com Solimão, o Magnífico, cujo reinado se estendeu de 1520 a 1566, que o império turco otomano atingiria o seu apogeu. Recomeçou a conquista para ocidente, apoderando-se de Belgrado (1521), e atravessou a Hungria com a intenção de conquistar Viena em 1529 e assim penetrar profundamente na Europa, mas sem sucesso. No mar derrotaram definitivamente os Venezianos com a ajuda de corsários, depois de dominarem Rodes (1522). A Europa mostrava-se incapaz de fazer frente ao ataque otomano, porque sofria de graves dissidências internas (uma das mais importantes foi o facto da França de Francisco I se aliar a Solimão contra Carlos V).
Foi desta forma que a Turquia passou a ser o poder principal da Europa e do Mediterrâneo no século XVI. A sua frota podia controlar toda a costa mediterrânica. Em terra enumeram-se facilmente as suas principais conquistas: a Anatólia, a Arménia, uma parte da Geórgia e do Azerbaijão, o Curdistão, a Mesopotâmia, a Síria, e Hedjaz (com a cidade de Meca), o Egito, e os Estados de Argel, Tunes e Trípoli, a Península Balcânica, a Grécia, a Transilvânia, a Hungria Oriental e a Crimeia.
Podem-se procurar variadíssimas causas para o grande sucesso dos otomanos: organizaram um poderoso exército cujos membros eram timariotas (cavaleiros) e janízaros (meninos cristãos, mas educados no Islamismo, a quem se fazia pagamento do seu serviço) criados no século XIV; souberam inteligentemente servir-se dos problemas internos dos Estados para os conquistar; usaram o método da prática de um liberalismo na administração em relação aos países conquistados; deixaram aos povos a sua identidade linguística, a sua religião, as suas tradições (os Cristãos gregos até preferiram o governo dos Turcos ao dos Venezianos). A grande diversidade étnica constituiu posteriormente um dos problemas de que enfermava a coesão do império.
Fruto de uma economia sólida alcançada no tempo de Solimão, da sua atitude de mecenato e da obsessão por imitar a corte de Constantinopla, os Turcos puderam legar ao mundo excelentes obras, entre as quais se podem citar as mesquitas em Istambul, o desenvolvimento e refinamento da poesia clássica turca e nas províncias a construção de mesquitas, bibliotecas, hospitais, locais de assistência, escolas e banhos públicos.

O período de declínio do império começa após a morte de Solimão (1566). Para além de uma desarticulação na economia ameaçada por uma gestão descurada em favor da febre de conquista, pela desvalorização da moeda e pelo clientelismo, agora o império media forças com um Ocidente apostado em vencer o poder muçulmano. Em 1570, o Papa Pio V forma uma liga europeia comandada por D. João de Áustria que reunia frotas da Espanha, do Papa, de Veneza e dos Cavaleiros de Malta e em 1571 venciam os Otomanos em Lepanto. Confrontaram-se também com o problema do avanço dos Persas safávidas.
Os Turcos, no entanto, ainda tinham força suficiente para ripostar. Assim, em 1573 recuperam Tunes, capturada por João da Áustria. Ainda controlam a planície húngara.
Durante o século XVII, assiste-se a uma sucessão de governantes medíocres, envolvidos num ambiente de corrupção, coadjuvada pelo mal-estar latente entre o corpo de janízaros e timariotas que esperavam alcançar cargos importantes afastando do povo o governo dos territórios. Os príncipes passaram a permanecer a maior parte do tempo no harém, descurando assim o governo nas capitais das províncias (teve o nome de "administração de harém", pautada pelas intrigas entre as mulheres e os validos do sultão). O governo otomano não exigia nada mais do que o pagamento do imposto aos povos submetidos, mas não se ocupava verdadeiramente dos problemas das populações, o que deu lugar à proliferação da iniciativa privada sem regras. Esta atitude saldou-se por uma estagnação económica percetível nos séculos XVII e XVIII.
Entre 1656 e 1710 perpetua-se o poder imperial através da dinastia dos Köprülü, que ainda faz algumas tentativas derradeiras para travar a queda do império. Conquistam Creta (1668) e barram a contraofensiva austríaca, mas em 1664 são derrotados na Batalha de São Gotardo. Em 1682, os Turcos voltam a atacar a Áustria, no entanto, o assédio no ano seguinte foi esmagado pelo exército polaco-alemão, comandado pelo Rei da Polónia, no qual se destacou a figura do Príncipe Eugénio de Saboia. Este último viria a ter um papel importante nas guerras contra os Turcos nos anos seguintes, até 1717.
Com um exército mais eficaz, os imperialistas, aliados à Polónia e a Veneza numa aliança designada por "Santa Liga", iniciam uma campanha de reconquista de territórios: resgatam Buda, penetram na Bósnia e na Sérvia, a Hungria e a Transilvânia voltam à possessão da Áustria em 1699, a Podólia é entregue à Polónia, a Dalmácia e a Moreia são entregues a Veneza.
A entrada da Rússia no conflito contra os Turcos contribuiu para enfraquecer o poder destes últimos. A partir de 1696, Pedro, o Grande, apoderou-se de Azov, na Crimeia. Numa outra guerra contra a Áustria, os Turcos foram derrotados mais uma vez pelo Príncipe Eugénio, em Petrovaradin (1716) e em Belgrado (1717) (no ano seguinte era assinado o tratado de paz de Passarowitz). A Áustria pôde anexar o Norte da Bósnia e da Sérvia e a Valáquia Ocidental; Veneza perdeu definitivamente a Moreia. A política de alianças das potências europeias acabou por, posteriormente, demonstrar conflitos latentes originados pela partilha dos territórios do império otomano entre elas.
A Áustria aliou-se à Rússia para participar no conflito entre 1787-91, mas sem resultados. Em agosto de 1791 é firmada a paz, marcando o fim das hostilidades entre os Habsburgos e os Otomanos. A intenção da Turquia de conquistar a Europa tinha caído por terra.
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