ar

O elemento ar faz parte dos quatro elementos primordiais designados pela tradição, para além do fogo, da terra e da água.
Juntamente com o fogo, é um elemento com características ativas, masculinas e Yang. Associado ao vento e ao sopro, o ar é considerado um meio de elevação espiritual, representando um mundo subtil entre o céu e a Terra. O ar é o sopro vital e cósmico que se identifica com o movimento, com o Verbo e a expansão. São Martinho considerava o ar um elemento purificador e um símbolo da vida invisível e interior. Nos rituais da Cabala, o ar é o princípio da composição e da frutificação, estando no caminho entre o fogo e a água e correspondendo à Alma Universal.
O ar é um meio de tudo o que é volátil: o álcool, o perfume, o vinho, a luz, as cores, a energia, o voar, o som e a música. É também o meio, por excelência, dos anjos, da alma e do espírito, acreditando-se na antiguidade que as almas e os fantasmas eram feitos da mesma substância invisível que o ar. Tanto na tradição esotérica grega, judaica ou indiana, a Alma do Mundo tinha a consistência do ar. Zeus, o pai dos deuses gregos, também tinha o nome de Ar por ser, como este elemento, omnipresente e omnisciente. O ar era ainda o meio de integração da essência das almas com o infinito.
Representado graficamente por um círculo com um ponto no meio, o símbolo do ar também foi, por vezes, associado ao céu, ao sol e também ao Olho de Deus. Na Ásia, o ar era o deus Vayu, entre os hindus, ou Enlil entre os persas e, tal como em muitas mitologias do mundo antigo, o ar era o salvador da humanidade que mantinha a mãe terra e o pai céu separados para que os seres humanos, os animais e as plantas pudessem respirar e viver. Segundo a simbologia maçónica, o ar simboliza a mente e corresponde ao grau da filosofia, depois da vida material e no caminho da religião para atingir o grau superior de iniciação espiritual. No Zodíaco, os signos de ar são Gémeos, Balança e Aquário e para a tradição sufi muçulmana, o ar corresponde à primeira etapa de evolução espiritual, aquela que toma consciência do mundo como uma realidade de ilusão e da necessidade de aproximação da realidade divina que é a única que é verdadeira.
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