aranha (mitologia)

Tecedeira da sua casa, que é ao mesmo tempo armadilha e armazém, a aranha tem uma misteriosa ligação com a Lua. Apesar da sua grande fragilidade, nas mitologias antigas a sua teia é associada ao cosmos e a aranha é assim uma criadora do Mundo em muitas tradições. Para algumas culturas, ela é responsável por tecer a realidade, para outras é ela que tece a aparência ilusória dessa mesma realidade.
Ao tecer a realidade, a aranha é também aquela que faz o destino do Homem. Nesse sentido, são-lhe atribuídas propriedades adivinhatórias em culturas africanas que colocam junto das casas das aranhas, feitas em covas no chão, pequenos objetos com determinados significados que são mexidos pelas aranhas que criam assim uma mensagem decifrada pelo adivinho. Estas práticas de adivinhar o futuro com aranhas eram também comuns entre os índios do Peru. Entre os índios da Colômbia, as aranhas são responsáveis por transportar as almas para o outro mundo. No Vietname, a aranha é uma alma deambulante pelo mundo, durante o sono de algum ser humano, e por essa razão não devem ser mortas, acreditando-se que causariam a morte do corpo físico. Na África ocidental, a aranha é responsável pela criação do Sol, da Lua e das estrelas e depois ficou como intermediária do Homem e do deus do céu que lhe deu vida. Em algumas ilhas do Pacífico, a aranha é um deus criador que está no princípio de todas as coisas. Este conceito é também comum às tradições do Mali, que a veem como uma divindade masculina conselheira do deus supremo ou como a representação de seres humanos evoluídos e iniciados em práticas mágicas. No budismo, a teia da aranha simboliza o mundo das aparências que oculta a realidade da verdade divina suprema. No hinduísmo, pelo contrário, a teia de aranha representa a beleza do mundo real. Esta realidade está patente nos antigos textos dos Vedas, no mito do véu da deusa Maya que representa também a beleza da criação do Mundo. Na Grécia e nas culturas do Médio Oriente e do Mediterrâneo, temos o mito de Aracne, a jovem exímia nas artes da tecelagem que desafia a deusa Atena. Sentadas frente a frente em torneio confrontam-se, bordando Atena os deuses do Olimpo e os castigos que os humanos merecem por os desafiar, enquanto que Aracne borda o amor entre os mortais e os deuses, como resposta à superioridade de Atena. Em resposta à afronta, Atena bate em Aracne, que decide enforcar-se, mas é transformada em aranha por Atena e condenada para sempre a fiar para existir. A aranha simboliza assim a arrogância castigada pelos deuses.
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