Arianos

O termo ariano deriva da raiz indo-europeia âr, que tem o sentido de "dividir" ou "lavrar a terra" e poderá ter sido associado aos povos lavradores sedentários, por oposição aos povos nómadas chamados turanianos, da raiz tura, que significa correr. Segundo a tradição védica, os arianos seriam um povo indo-europeu vindo do Norte que invadiu a Índia e subjugou os povos autóctones da Índia, como os Dâsyû e os Shûdra. Terão sido ainda os Arianos, segundo a tradição, a instituir o atual sistema de castas, onde eles ocupariam as castas superiores de clérigos, guerreiros e comerciantes. Na tradição budista, os árya são aqueles que seguem a via da Lei, ou o caminho dos que já ultrapassaram as "Quatro Nobres Verdades" que os conduz ao Nirvana. O termo ariano foi utilizado na cultura inglesa para identificar as línguas pertencentes à família indo-europeia relacionadas com o sânscrito. Mais tarde, em meados do século XIX, o termo foi utilizado para reforçar o conceito de raça superior que se estendia aos conceitos de língua, cultura e civilização. No século XIX, a palavra ariano foi utilizada por Max Müller e Joseph Arthur de Gobineau para identificar uma civilização superior em termos biólogos, físicos, intelectuais e culturais. Gobineau, que morreu em 1882, foi um jornalista e escritor francês nascido numa família burguesa, mas que tinha pretensões a ser nobre. Sustentava que as línguas para ele mais desenvolvidas, as europeias, correspondiam a uma supremacia intelectual e racial enquanto que as línguas dos países de África e Ásia correspondiam, como os seus respetivos povos, aos planos inferiores de uma hierarquia de valores por ele inventada. Gobineau defendia expressamente que todas as grandes civilizações do Mundo tinham sido edificadas pela raça branca. Gobineau misturava arianos com germânicos, franceses e escandinavos. Cheios de erros e imprecisões, os escritos de Gobineau foram utilizados por aqueles que defendiam a escravatura e o domínio dos brancos no Sul dos EUA, bem como o movimento wagneriano alemão no fim do século XIX. Foram os conceitos de Gobineau que estiveram na origem da política de seleção racial do III Reich alemão, em meados do século XX, que levou à tentativa de genocídio do povo judeu, com a morte de milhões de judeus e milhares de ciganos. Adolf Hitler, que foi à tradição da Índia, direta ou indiretamente, buscar a suástica, introduziu o livro de Gobineau, "Ensaio sobre a Não Igualdade das Raças Humanas" (Essay on the Inequality of Human Races), nas escolas alemãs, utilizando o mito do povo ariano para sustentar a sua ideologia de um povo alemão física e intelectualmente superior perante os demais povos do Mundo.

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