Arima

Dentro da polémica que envolve a discrepância entre as várias edições e versões de Menina e Moça que circularam durante o século XVI, a segunda parte da obra, aquela que se concentra no romance entre Avalor e Arima, é seguramente uma das que mais problemas colocam relativamente à autoria do texto. Filha de Belisa e de Lamentor, sobrinha de Aónia, Arima é enviada para a corte, acompanhada de um cavaleiro amigo de seu pai, Avalor, que por ela se apaixonará. Decorrendo num ambiente palaciano, por oposição à primeira parte, que tinha como cenário um ambiente bucólico, a história dos amores de Avalor e Arima integrará um ideal de amor cortês, enquanto amor não consumado de um cavaleiro por uma dama equiparada a um suserano a quem o amante deve um serviço de amor consubstanciado em atitudes de louvor, fidelidade, discrição, abnegação. Por seu turno, o retrato de Arima aproxima-se da imagem da mulher idealizada formulada nas cantigas de amor de influência provençal, sublinhando de forma hiperbólica uma beleza e virtudes excecionais: "a mais fermosa cousa do mundo", possui "estremadamente sobre todas [...] ~ua honestidade"; "A sua mansidão nos seus ditos e nos seus feitos não era de cousa mortal; a sua fala e o tom dela soava doutra maneira que voz humana. Que vos hei de dizer? Não parece senão que se ajuntavam ali todas as perfeiçois". Esta divinização do ser feminino, que o anagrama Arima (Maria) acentua, torna-se símbolo de uma perfeição inatingível, logo inacessível para um amor humano, antevendo que o amor entre este terceiro par de namorados de Menina e Moça deverá ser também ele contrariado pela fatalidade.
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