Armamar


Aspetos Geográficos
O concelho de Armamar, do distrito de Viseu, situa-se na Região Norte (NUT II) e no Douro (NUT III), ocupa uma área de 117,1 km2 e abrange 19 freguesias: Aldeias, Aricera, Armamar, Cimbres, Coura, Folgosa, Fontelo, Goujoim, Queimada, Queimadela, Santa Cruz, Santiago, Santo Adrião, São Cosmado, São Martinho das Chãs, São Romão, Tões, Vacalar e Vila Seca.
O concelho apresentava, em 2005, um total de 7356 habitantes. O natural ou habitante de Armamar denomina-se armamarense.
O concelho encontra-se limitado pelos seguintes concelhos: a norte por Peso da Régua, no distrito de Vila Real; a oeste por Lamego, a este por Tabuaço, a sudoeste por Tarouca e a sudeste por Moimenta da Beira.
Possui um clima marítimo de transição e/ou de climas diferenciados e, consoante a disposição topográfica e o gradiente térmico, as temperaturas são mais elevadas nas áreas de menor altitude, assim como o clima é mais chuvoso nos lugares cujas vertentes estão voltadas a poente.
A sua morfologia é marcada por várias zonas de altitudes consideráveis, ultrapassando os 700 m de altitude, destacando-se, entre outras, as serras da Piedade (906 m), de São Domingos (735 m) e do Fundo de Vila (751 m).
Como recursos hídricos, possui a ribeira de Temilobos, o rio Tedo, a ribeira de Leomil e o rio Douro. Merece também referência a queda d'água de Temilobos no despenhadeiro da Misarela.

História e Monumentos
A génese e a história deste concelho estão intimamente relacionadas com o povoamento do território na época leonesa-portucalense (séculos IX e XII). No século XII, as lutas entre árabes e cristãos para a posse de todas as terras de Lamego tornaram desertas as terras de Armamar, as quais só voltaram a ser povoadas por ação de D. Afonso Henriques.
Em 1189, Armamar foi doada ao Mosteiro de Santa Maria de Salzedas e não teve, curiosamente, qualquer foral.
Recebeu foral por D. Sancho I, em julho de 1194, a 3 de maio de 1514 teve foral novo, por D. Manuel I, e por decreto de 24 de outubro de 1855 Armamar foi elevada a cabeça de comarca.
A origem do topónimo Armamar não se encontra ainda esclarecida, sendo contudo de admitir que terá tido origem no antropónimo germânico Ermamaro (Ermamarus), que seria um preso godo que acompanhava Afonso III, quando este reconquistou a região de Lamego, em 877. Nos séculos XII e XIII, o nome desta vila era Ermemar.
A nível do património arquitetónico, destacam-se o santuário da Senhora da Piedade e os vestígios do Castelo de Armamar, que embora não constitua a referência mais remota da história armamarense, dado que terá sido edificado sobre as fundações de um castro celta ou pré-celta, nos séculos XIII e XIV ainda defendia este território.
Relevo, também, para a Igreja Matriz de São Miguel, que é um templo românico do século XIII, cuja fundação está associada a Egas Moniz, e que tem um interior com três naves definidas por colunas cilíndricas. Na fachada salientam-se o portal com arquivoltas e a torre sineira de planta quadrangular. Na cabeceira encontram-se três frestas de arco quebrado e capitéis lavrados.

Tradições, Lendas e Curiosidades
São em grande número as manifestações populares e culturais no concelho, sendo de destacar a festa de S. Pedro, que se realiza em junho, em Queimada; a de S. João, também em junho, em Armamar; a de S. Gregório, a 12 de março, em Santa Cruz; a de Nossa Senhora da Piedade, realizada no último domingo de maio; a de S. Cristóvão, a 25 de julho, em Aricera; a de S. Domingos, realizada a 5 e 6 de agosto, em Fontelo; a da Alegria, a 6 de setembro, em Fontelo; e a de São Lázaro, no Domingo da Paixão, anterior ao Domingo de Ramos, em Armamar, de cuja igreja matriz ainda hoje sai uma procissão em direção à capela, regressando novamente à igreja matriz.
Merece referência a paisagem típica em anfiteatros (socalcos), com cultura de videiras, de onde provêm os vinhos generosos do Douro, a mais velha região demarcada do mundo (designação atribuída) pelo marquês de Pombal), levantando-se desde o rio Douro, e conferindo à paisagem uma tipicidade agrícola que se reflete numa cultura muito própria.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, seguindo-se os setores secundário, na área das indústrias transformadoras (panificação, abate e transformação de carnes de porco), e o primário, relativamente próximos.
Na agricultura, destacam-se os cultivos de batata, pousio, frutos frescos, olival, vinha, prados e pastagens permanentes. A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de ovinos, coelhos e aves. Cerca de 19,6% (1207 ha) do seu território são cobertos de floresta.
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