armamento

Rudimentar na pré-história, artesanal na antiguidade, o armamento foi sendo progressivamente concebido, desde o mundo pré-clássico, cada vez de modo especializado, com técnicas em constante aperfeiçoamento, tendo em conta a evolução do conceito de guerra e de defesa pessoal. As civilizações do Crescente Fértil e da Índia e China desenvolveram, desde o 2.º milénio a. C., em virtude da sua urbanização e criação de estados baseados em grandes territórios, exércitos bem apetrechados de armas, essencialmente ao nível da lança, do arco/flecha e da espada. Esse esforço despertou também a atenção do mundo no clássico, não apenas em Atenas e Esparta, ou Cartago, mas também entre os Persas, à medida que também evoluía no Oriente e na América pré-colombina. Estávamos ainda no conceito da neurobalística, armas propulsionadas por força humana. Seriam os Romanos quem mais impulsionariam, depois de Alexandre, um maior desenvolvimento do armamento, rentabilizando já não apenas os tradicionais lança, arco/flecha e espada, mas também armas de apoio, como catapultas, aríetes, onagros, entre outras. Os Germânicos trouxeram essencialmente lanças e espadas de maiores dimensões e mais pesados, mantendo o uso do arco, como já os Celtas e os povos altaico-mongóis faziam.
A Idade Média foi também no armamento a síntese dos mundos greco-latino e germânico, com uma crescente importância da cavalaria e com maior capacidade de assalto e choque, já que as técnicas e meios de defesa, pessoal ou coletiva, melhoraram imenso. Em finais da Idade Média, no século XV, iniciou-se uma pequena revolução no armamento, com o desenvolvimento da guerra pirobalística, em que o fogo é o principal ator. Aproveitando a pólvora de invenção chinesa e os progressos na metalurgia ocidental, até ao século XVIII as espingardas, trones, bombardas e canhões remeteram para segundo plano as espadas e lanças - e os seus derivados ou subtipos. As armas pirobalísticas entraram também na guerra naval a partir de Quinhentos. Assim, desde o Renascimento, dominaram os armeiros italianos e alemães, que criaram desde então o conceito de indústria de armamento, o que englobava estudos e tratadística. Uma época de transformação da arte da guerra, de criação dos estados-nação, as armas desempenharam um importante papel, dada a urgência de implantação de exércitos nacionais, que exigiam muito equipamento, renovável ciclicamente. O século XIX sublimará esta tendência, com a revolução industrial e o contínuo estado de guerra na Europa, além das guerras de independência latino-americanas e o apetrechamento pirobalístico das colónias africanas e orientais. Os ingleses, como depois os alemães, dominarão a indústria e pesquisa de armamento. A Primeira Guerra Mundial tudo mudará, introduzindo mesmo uma nova arma num novo teatro de guerra: o avião. A guerra mudara completamente, como o armamento. Espadas, lanças, arcos desapareceram completamente no século XX. O período entre as duas Grandes Guerras, 1918-1939, foi de florescimento para a indústria de armamento, com destaque para a aviação e para a marinha (submarinos, porta-aviões, navios de maior calado e maior poder de fogo). Alemanha, França, Grã-Bretanha, Japão, EUA e Rússia foram os protagonistas desse desenvolvimento, com o armamento a ser então uma crescente fonte de divisas e mobilizador de abundante mão de obra, o que favorecia as políticas de resolução do desemprego pós Grande Depressão.
Os EUA e a Rússia, vencidos os Alemães e Japoneses em 1945, incrementaram depois da Guerra a indústria e investigação em armamento de forma jamais vista, com notáveis progressos tecnológicos. A bomba atómica e a pesquisa em armas nucleares, bacteriológicas e químicas (NBQ), armas estratégicas da Guerra Fria, juntavam-se às armas convencionais, com impacto negativo em termos de opinião pública, de meio ambiente e de preservação da Humanidade. As disputas e a eminência da guerra nuclear foram constantes até aos anos 90 do século XX, motivando acordos de não proliferação nuclear e uma concorrência tecnológica entre a URSS e os EUA, sob a capa da dissuasão. Mas o emprego de armas químicas por parte de potências regionais satélites dos dois blocos militares despoletou o descontrolo no domínio do armamento. O Médio Oriente como certos países africanos (África do Sul) e asiáticos (China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte), assumiram as armas nucleares como fator de domínio regional, causando a desconfiança do Ocidente e da Rússia, empenhados, tacitamente, num esforço de não proliferação nuclear. Uma das armas que contribuiu para a corrida ao armamento, com destaque para o nuclear, mas também o químico, foi o míssil, a grande inovação, a par da bomba atómica, dos aviões e dos submarinos, da indústria de armamento do século XX. Foi a grande arma da Guerra Fria, motivando, a sua elevada proliferação, acordos de controlo de produção e venda, que não, porém, respeitados pela maior parte dos países e traficantes do Terceiro Mundo. O seu sucesso começou com os célebre V2 alemães, na Segunda Guerra Mundial, não mais parando e ganhando militarmente a terra, o ar e o mar. Os Tomahawk americanos são os mais famosos e destruidores desta classe balística, a arma mais importante desde há 50 anos.
Os EUA, principalmente desde a administração Reagan (anos 80), a China, a Rússia, Israel, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Brasil e Índia, são os maiores produtores e consumidores de armamento, não só legal, alimentando um dos mais lucrativos negócios à escala global. Um outro tipo de armamento é o espacial, desde a chamada "Guerra das Estrelas" americana, também impulsionada com R. Reagan, nos anos 80, com forte relação ao armamento balístico (mísseis).
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