Armando José Fernandes

Compositor português, nasceu a 26 de julho de 1906, em Lisboa, e morreu, na mesma cidade, a 3 de maio de 1983. Embora tenha chegado a estudar Engenharia, acabou por se dedicar completamente à música, tendo ingressado no Conservatório Nacional de Lisboa em 1927. Foi aluno de célebres personalidades desta área - como Luís de Freitas Branco e Alexandre Rey Colaço - e concluiu o curso em 1931. Mediante provas públicas realizadas no Conservatório, obteve, posteriormente, o 1.º Prémio de Piano e o Prémio Rodrigo da Fonseca.
Ainda como aluno, formou, com Pedro do Prado, Fernando Lopes-Graça e Jorge Croner de Vasconcelos, o Grupo dos Quatro, composto por jovens músicos responsáveis por uma série de iniciativas que visavam sobretudo a divulgação da sua música e a realização de concertos, tendo também chegado a publicar uma revista que, ligada à música, difundiu ideias totalmente inovadoras para a época.
De 1934 a 1937, viveu em Paris, como bolseiro da Junta Nacional da Educação, onde teve oportunidade de aprofundar os seus estudos de piano e composição, contando, para isso, com a influência e os ensinamentos de Alfred Cortot, Nadia Boulanger, Paul Dukas, Roger Ducasse e Igor Stravinsky.
Lecionou aulas de piano e participou, como compositor exclusivo, para o Musical Studies Department of the National Radio Broadcast Company. Integrou o Gabinete de Estudos Musicais da Emissora Nacional, em 1942, e tornou-se, em 1953, professor de Composição no Conservatório - de onde se retirou apenas por ocasião do seu 70.º aniversário.
Pianista e autor essencialmente de música de câmara, é considerado um compositor de apurado e excecional talento, tendo deixado, contudo, uma obra pouca vasta, da qual se destacam a Fantasia sobre Temas Populares, para piano e orquestra (1938-1945); o bailado, baseado numa lenda popular, O Homem do Cravo na Boca (1941); a Sonata para Violoncelo, com dedicatória a Madalena de Sá e Costa (1943), as três Sonatas para Violoncelo, Violeta e Violino, com acompanhamento de piano (1944-1946); o Concerto para Violino (1948); a Suite para Cordas (1950); o Concerto para Piano e Orquestra de Cordas (1951); o Quinteto para Piano e Cordas (1953); o poema sinfónico O Terramoto de Lisboa (1961); a Suite Concertante, para cravo e orquestra de câmara, (1967); e a Sonata a Três para Violino, Violoncelo e Piano, uma encomenda da Secretaria de Estado da Cultura (1980).
Entre outras distinções, Armando José Fernandes recebeu os Prémios de Composição Moreira de Sá (1944) e Círculo de Cultura Musical (1946).
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