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Arronches

Aspetos Geográficos
O concelho de Arronches, do distrito de Portalegre, localiza-se no Alentejo (NUT II) e no Alto Alentejo (NUT III). Ocupa uma área de 314,8 km2 e abrange três freguesias: Assunção, Esperança e Mosteiros.
O concelho encontra-se limitado a norte pelo concelho de Portalegre, a sudeste por Campo Maior, a sul por Elvas, a oeste por Monforte e a nordeste por Espanha.
O concelho apresentava, em 2005, um total de 3295 habitantes.
O natural ou habitante de Arronches denomina-se arronchense.
Possui um clima marcadamente mediterrânico, caracterizado por uma estação seca bem acentuada no verão. A precipitação é irregular. As vertentes expostas a sudoeste têm um clima mais quente e mais seco do que as que estão expostas a nordeste, apresentando um clima mais frio e húmido.
No que se refere à morfologia, os terrenos são, geralmente, planos, devido à existência de dois grandes planaltos, com vales largos, onde se ergue a serra de São Mamede, com cerca de 40 km de comprimento e 10 km de largura, e que corresponde ao extremo ocidental da cordilheira luso-espanhola. Com altitudes inferiores, os montes da Coutada (354 m), da Capela do Rei (523 m), de Louções (454 m) e do Almo (584 m).
O concelho está inserido na área do Parque Natural da Serra de São Mamede, que tem grande interesse geomorfológico, paisagístico, faunístico e florístico, valores arquitetónicos e paisagens humanizadas. A sua criação foi oficializada através do Decreto-Lei n.° 121/89 de 14 de abril. Tem uma área de 31 750 ha, e abrange parte dos concelhos de Arronches, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre.
Neste parque existe uma grande diversidade geológica, como, por exemplo, as "marmitas de gigante" em Galegos, as grutas e os quartzitos.
Como recursos hídricos, possui o rio Caia e a sua albufeira homónima, o rio Alegrete ou Arronches, e ainda, as ribeiras de Revelhos, de Abilongo e de Ougela.

História e Monumentos
As terras deste concelho foram tomadas aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1166, e reconquistadas, definitivamente, por D. Sancho II, em 1235. Nas terras deste concelho reuniram-se as Cortes do Reino, em 1475, para discutir o casamento de D. Afonso IV com a sua sobrinha, herdeira do trono de Castela. Em 1653, houve um recontro da cavalaria espanhola contra a portuguesa, do qual a cavalaria portuguesa saiu vencedora.
Ao nível do património arquitetónico, destacam-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, classificada como Monumento Nacional, e que substituiu, em meados do século XVI, o antigo templo gótico de 1236, pertencente ao Padroado do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. De estilo manuelino, apresenta, na entrada, um pórtico renascentista e um arco redondo lavrado e decorado. A Fortaleza de Arronches data de 1310, foi fundada por D. Dinis e está classificada como Imóvel de Interesse Público (Decreto-lei n.° 129/77, de 29 de setembro). Possui o torreão, as muralhas e as guaritas e fica localizada na freguesia de Assunção, em Arronches. A Torre da Cadeia está integrada na fortaleza. É quadrangular, de pedra, com cunhais de granito e sem ameias. De tempos ainda mais longínquos, subsiste o abrigo, com pinturas rupestres, do Vale de Junco (Esperança), na serra de Louções, que está classificado como Monumento Nacional, por Decreto-lei n.° 251/70, de 3 de junho. De referir, também, a Igreja de Nossa Senhora da Luz, que data do século XVI. Foi fundada em 1570 pelos freis Francisco da Ressurreição e Hilário de Jesus, religiosos agostinhos calçados, e vendida a particulares, no século XIX. Está localizada na freguesia de Assunção e está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1993.

Tradições, Lendas e Curiosidades
Abundam as manifestações populares e culturais no concelho, com destaque para a festa em honra do rei santo, em Arronches, no segundo domingo após a Páscoa; a festa de S. João, feriado municipal, realizada a 24 de junho; e a feira de Artesanato e Gastronomia, na segunda quinzena de julho. Ainda em julho, realizam-se a festa de N. S. da Graça, nos mosteiros; a festa em honra de Nossa Senhora da Esperança; e a festa da Santa Casa da Misericórdia de Arronches, em agosto. No último domingo, realiza-se o mercado municipal da Esperança.
No artesanato salientam-se os trabalhos de cortiça e madeira, os objetos trabalhados em chifre, as cadeiras típicas em madeira e bunho, as albardas e arreios de cabedal e os bordados tradicionais do Alentejo.
Como curiosidade, destaca-se o facto de Arronches ser referida duas vezes na grande obra épica de Luís de Camões, Os Lusíadas, uma no canto VIII (est. XIX), e outra no canto III (est. LV).
Há um número considerável de lendas nesta zona, como por exemplo: a lenda dos Aroches; a lenda das escadas da Senhora da Luz; a lenda da Pedra da Moura; a lenda da princesa e do cavaleiro; e a lenda da língua cervina.
A lenda da Pedra da Mentira fala de uma moura que disse uma mentira junto de uma pedra perto do rio Caia. O rei, seu pai, furioso, encantou-a naquela pedra. A partir de então, quem disser aí uma mentira, cai ao rio.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor secundário, na área das indústrias de laticínios e cerâmica, seguidas pelas do terciário, com o pequeno comércio e serviços. O primário, com a agricultura e a pecuária, mantém ainda um peso significativo.
As principais culturas são os cereais para grão, os prados temporários e as culturas forrageiras, as culturas industriais, o pousio, o olival, os prados e as pastagens permanentes. Na pecuária, criam-se aves, ovinos e bovinos.
Quase 40% (1371 ha) do território concelhio está coberto de floresta.
Como referenciar: Arronches in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-11-23 03:46:43]. Disponível na Internet: