Arte Chinesa

Introdução
A cultura chinesa conheceu uma notável longevidade e expansão geográfica que remonta pelo menos ao terceiro milénio antes de Cristo, altura em que este povo se concentrava na região do Rio Amarelo. A periodização da civilização chinesa foi estabelecida através das diferentes dinastias que governaram a nação, desde as precursoras Shang (1650-1027 a. C.), cujas produções culturais se enquadram no período do bronze e Zhou (1027-256 a. C.).
Foi durante a época Tang (618-907 d. C.) que o país atingiu a maior dimensão territorial de toda a sua história. Seguiram-se a Época Sung (960-1279), a dinastia Ming (1368-1644) e o período Ching, que correspondeu à última dinastia imperial (1644-1911). Caracterizada pela serenidade e permanência das formas expressivas e pela rigidez de valores estéticos, a cultura chinesa procurou sempre, através das suas realizações artísticas a harmonia com o universo. Com a abertura da cultura chinesa ao exterior, verificada durante a dinastia Ching tornou-se evidente, em paralelo com a exportação de artefactos artísticos para todo o mundo ocidental, a apropriação pela China de outras linguagens estéticas.
A criação da República Popular da China em 1949, sob a liderança de Mao Tsé-Tung, introduziu uma incontornável dimensão política em todas as formas de expressão artística, sendo igualmente responsável pela revalorização das formas mais simples de criação estética, como o folclore, que foi assumido como valioso produto de exportação e importante fonte de rendimentos.

Arquitetura
Os mais antigos edifícios construídos pelos chineses, pelo seu carácter perene determinado pela utilização de madeira, desapareceram quase todos. Excetuam-se os túmulos construídos pelos reis da dinastia Shang.
Também no período Han grande parte dos testemunhos arquitetónicos resume-se aos túmulos, muitos deles subterrâneos, cuja sofisticação construtiva, pela utilização nomeadamente de sistemas trilíticos abobadados, permite supor uma fase de intenso nível construtivo.
Uma das características fundamentais dos edifícios do período Sung foi o uso de amplos telhados curvos suportados por finas e delicadas estruturas de madeira que introduziam sensação de peso e luminosidade. Durante esta dinastia, o pagode tornou-se uma das principais formas arquitetónicas religiosas. Derivado da stupa indiana, o pagode difundiu-se com o advento do Budismo na China. Consistia numa torre geralmente quadrada e alta, construída em pedra e dividida em vários andares identificados exteriormente pelo uso de pequenas estruturas que sustentavam coberturas curvas sobrepostas. O mais famoso dos pagodes chineses é o do Ganso Selvagem, datado da dinastia Tang, construído em tijolo na região de Sian, apresentando cerca de sessenta metros de altura, em 7 pisos reentrantes.
No período da dominação Mongol desenvolveu-se o gosto pelos grandes espaços de receção, tendo sido construídos pavilhões enormes autónomos que se sucediam formando complexos de recorte urbano.
As arquiteturas da dinastia Ming sintetizam a delicadeza do período Sung com o sentido maciço e sólido dos edifícios Mongóis, características que se manterão no período posterior, a dinastia Qing, a fase de ouro da arte chinesa. Respondendo às exigências da vida da corte imperial, o palácio tornou-se a tipologia mais desenvolvida e mais significativa, como o testemunham os inúmeros exemplares construídos na capital do país, famosos pelo recurso a esquemas compositivos simétricos de grande monumentalidade, acentuado pelo uso de grandes plataformas em mármore branco e pela imagem exterior maciça, pontuada por telhados dourados. O exemplo mais famoso desta tipologia é o Palácio de verão, localizado a poucos quilómetros da cidade de Pequim e que se estende por uma área enorme, onde predominam lagos, bosques e colinas artificiais.
Desta época destacam-se outros dois famosos complexos de edifícios: um recinto religioso em Pequim dominado pelos templos da Agricultura e pelo "Altar do Céu", este último, iniciado em 1420 e implantado sobre uma plataforma à qual se acede por uma monumental escadaria, apresenta forma circular de três níveis; e a Cidade Proibida, a residência dos Imperadores, um complexo residencial murado com inúmeras construções das quais se destacam três grandes salas-pavilhões desenhadas na tradição da arquitetura monumental Mongol.
Para além da arquitetura monumental, civil e religiosa, a civilização chinesa criou uma tipologia residencial de menores dimensões e grande originalidade. A habitação tradicional chinesa organiza-se a partir de um eixo orientado a norte que define um sistema simbólico de referências cosmológicas. Eram geralmente quadradas ou retangulares, sendo mais rara a planta redonda. O elemento fundamental para implantação das casas era a plataforma de nível que constituía o solo artificial sobre o qual assentava a construção, executada quase integralmente em madeira.

Escultura
De entre as mais antigas esculturas chinesas, descobertas no século XX através de escavações arqueológicas, contam-se as figuras de terracota do túmulo do imperador Shih Huang-ti, da dinastia Qin (259 a. C.-210 a. C.) - milhares de estátuas em tamanho natural de cavaleiros e infantaria, com carácter rígido e forte cromatismo, permitiam preencher as paredes dos túmulos subterrâneos. Estes conjuntos escultóricos geralmente representam procissões de carros e cavalos ou cenas de caça. Nestas, a dimensão naturalista das figuras humanas é cruzada com representações de seres fantásticos de carácter mitológico.
A escultura atinge o seu período áureo na época budista, encontrando um fértil campo de desenvolvimento na decoração em relevo e em forma de estatuária de grutas rupestres, os primeiros santuários da religião budista.
A partir do século VI torna-se mais evidente a influência da escola indiana Gupta que inspirou a criação de figuras com grande dinamismo compositivo e plasticidade das formas e dos pormenores. Um dos temas preferenciais desta fase artística são as estátuas da divindade budista Kuaan-yin, com forma humana feminina, representada em posição sentada com uma perna caída e outra fletida e um dos braços apoiado no joelho, criando um movimento de torção.
Enquadrando-se em temáticas figurativas mas agora de carácter fantástico, surgem, durante as dinastias Tang, Ming e Quing, imponentes esculturas de animais de pedra de considerável efeito cénico que ladeavam os acessos aos recintos dos túmulos reais.
Para além destas manifestações de carácter monumental, os chineses produziram inúmeras estátuas decorativas de pequenas dimensões, realizadas em jade, turquesa, marfim e madeira, que denunciam a hábil tradição artesanal desta civilização.

Pintura
Assumindo uma maior projeção social e reconhecimento da carga autoral do que a escultura, a pintura tornou-se a forma de expressão artística com maior desenvolvimento e reconhecimento na China. De facto, enquanto que grande parte das produções escultóricas são anónimas, no campo pictórico é possível identificar artistas e percursos criativos de grande originalidade.
A pintura chinesa revela-se geralmente clara e insubstancial, procurando traduzir, através de um forte cunho poético, o estado de espírito do artista. A naturalidade das representações é ilusória pois os pintores interessavam-se mais pela tradução de uma visão ideal do mundo do que pelo realismo das cenas. A frequente associação de textos ou palavras com as imagens introduz uma complexa síntese entre três formas de expressão: a pintura, a caligrafia e a poesia.
Os mais antigos exemplares de pintura na China datam da civilização Yang-shao e consistem em motivos geométricos aplicados em figuras de terracota.
As primeira pinturas aplicadas sobre telas de seda apresentavam seres fantásticos como dragões. Mais tarde, nas paredes dos túmulos Han, surgem grupos de figuras humanas, com contornos nítidos e cromatismos intensos, representadas só em volume, sendo a leitura espacial garantida pela sobreposição das personagens em planos paralelos. A figura feminina surge em muitos retratos de concubinas que eram encomendados por mecenas aristocráticos.
Desde o século IV desenvolve-se a temática da paisagem, executada em rolos de seda. Aqui os motivos naturais, embora representados com grande realismo, ganhavam atributos ideais e elementos de sentido icónico como as montanhas a pique, as árvores contorcidas e os mosteiros construídos sobre precipícios.
A cultura da corte Mongol proporcionou a abordagem de temas como o cavalo e outros animais. Surgem também pinturas de flores e pássaros, de grande efeito decorativo, aplicadas em leques e biombos.

Artes menores
Os chineses produziram inúmeros objetos utilitários cujo nível artístico lhes permite ombrear com as produções dos outros géneros artísticos. Os objetos em bronze constituíram uma das formas artísticas mais importantes da China entre 1550 a 202 a. C. Mais tarde este material foi substituído pela cerâmica e pela porcelana, técnica inventada e divulgada durante a época Tang (618-907) e mais tarde exportada para outros países asiáticos e para as civilizações ocidentais.
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