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Arte Etrusca
Introdução
O território designado por Etrúria, onde se fixou o povo etrusco, corresponde ao atual centro de Itália. A arte etrusca desenvolveu-se a partir do século VII a. C., desaparecendo no século III a. C., aquando da integração do seu povo na nação romana, então em expansão.
Dominada pelas conceções da vida pós morte e pela necessidade de criar estruturas arquitetónicas de carácter eterno que pudessem preservar os corpos para a imortalidade, grande parte das manifestações artísticas etruscas, ainda que dotadas de grande originalidade, denunciam uma forte influência da culta arte grega. Avesa às criações de grande dimensão ou de carácter monumental, a civilização etrusca desenvolveu bastante as artes menores, o trabalho em argila, o bronze e a ourivesaria.

Arquitetura
As construções etruscas eram geralmente realizadas em madeira e em tijolo, ficando a pedra limitada às fundações e aos plintos sobre os quais se erguiam os templos. Para além do sistema trilítico, os etruscos empregavam processos construtivos mais complexos, como o arco, a abóbada ou pseudo-abóbada e a pseudo-cúpula.
Com carácter altamente precário e efémero, grande parte dos edifícios construídos por este povo desapareceram. Excetua-se todo o conjunto de arquiteturas funerárias, cuja necessidade de durabilidade determinou o uso da pedra para a sua construção. Sendo a maior parte dos túmulos escavados na rocha (formando uma espécie de arquitetura em negativo), os elementos construídos resumiam-se geralmente às fachadas, portas ou corredores de acesso. Abandonando a solução circular, em forma de tholos, característica da Grécia e do mundo mediterrânico, os etruscos adotaram para o interior dos túmulos soluções que recriam a forma da habitação: uma sala central em torno da qual se dispunham simetricamente as celas.
O templo etrusco, que se tornou canónico, era construído em madeira e tijolo, sobre uma base de pedra. De planta quase quadrada apresenta um alpendre com colunas que antecede a cela (um espaço fechado que podia ser único ou dividido em três salas) e uma cobertura de duas águas, salientes em relação à planta.

Artes plásticas
Grande parte da escultura etrusca tem carácter religioso ou funerário. Os sarcófagos que continham os mortos, geralmente realizados em terracota, constituem as mais interessantes peças escultóricas deste período artístico. Eram formados por uma caixa elevada sobre a qual se representavam os defuntos, reclinados e apoiados num braço, como se observa no "Sarcófago dos Esposos", realizado aproximadamente em 520 a. C. e descoberto num túmulo da necrópole de Cerveteri.
A restante escultura era normalmente realizada em argila, por modelação, num efeito rápido, espontâneo e expressivo, como se observa no "Apolo de Veios", em terracota pintada, proveniente do templo de Portonaccio. Este povo desenvolveu igualmente esculturas em bronze, como a célebre Quimera de c. 380 a. C., descoberta em Arezzo.
Tal como sucedeu ao nível da escultura, a pintura etrusca mais significativa encontrava-se reunida nos túmulos e procurava reconstituir os ambientes onde os defuntos tinham habitado em vida. Desta forma, às imagens figurativas (representando cenas do quotidiano, ou temas naturais) associavam-se elementos arquitetónicos, como cornijas, frisos e pilastras que estruturavam a narrativa. As figuras eram invariavelmente definidas com uma linha de contorno negra e preenchidas por cor.
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