Arte Hindu

Introdução
O termo arte hindu refere-se às várias expressões artísticas desenvolvidas no território indiano desde o terceiro milénio antes de Cristo. A especificidade das suas manifestações estéticas liga ao fundamento ideológico e religioso desta civilização cuja preocupação maior consistia na explicação do mundo e da existência através de uma posição dicotómica (imanência e transcendência, tempo e eternidade, mudança e perfeição) mas integradora que entendia o tempo como uma entidade eterna. As influências exteriores, introduzidas pelos povos que cruzaram este território (desde os macedónios de Alexandre Magno aos muçulmanos) foram sempre temperadas por esta postura cultural.

Arquitetura Os mais antigos exemplares de construção da Índia são edifícios em tijolo que datam de cerca de 2000 a. C. No período Budista, a partir do século II a. C., foram construídos monumentos religiosos em pedra, como o stupa e o dagobe, antecessor do pagode. Em alguns pormenores decorativos destes edifícios era patente a influência das culturas mesopotâmicas e da Grécia clássica.
A partir do século V, a religião hindu torna-se dominante em quase todo o território. O estilo hindu caracteriza-se pelo uso de elementos como as cúpulas terminadas em bico, as coberturas piramidais, as grandes torres em forma de montanha dos templos, a grande densidade de ornamentação e a aplicação de escultura de carácter monumental.
O estilo indo-islâmico, referente à fase de influência muçulmana, manifesta-se em enormes estruturas arquitetónicas onde se desenvolvem algumas tipologias construtivas de origem árabe como o minarete e a cúpula, algumas das quais atingem dimensões colossais, como o mausoléu Gol Gumbaz do século XVII.
O período Mughal que assinala o auge da arquitetura indo-islâmica, desenvolveu-se entre os século XVI e XVIII. Produziu edifícios de grande requinte construtivo, caracterizados pela grande dimensão, pelo uso de cúpulas e de revestimentos em mármore. Os mais conhecidos edifícios desta altura são o Taj Mahal (1632-1648) e os palácios-fortaleza de Agra e Deli.

Escultura
Datam do século II a. C. algumas das primeiras estátuas de culto, de grande dimensão, realizadas em pedra. Durante o período budista, surgem esculturas monumentais, representando o Buda ou alguns reis locais, aplicadas na arquitetura religiosa. Desenvolvem uma estatuária de carácter hierático rígido e estilizado de sentido icónico. Muitas associavam-se a antigos cultos locais de fertilidade.
No período hindu aparecem as imagens simbólicas do deus Vixnu e de Xiva (rei da dança), que se tornaram-se famosas pela multiplicação dos braços. Esta conceção multibraquiada tem origem antropomórfica e naturalista e torna-se identificadora do carácter sagrado da figura representada. Muitos elementos simbólicos acessórios complementam as imagens dos deuses. Era frequente o uso de cromatismo intenso como complemento da significação religiosa destas esculturas. Os hindus mantêm a tradição budista de aplicação de escultura às estruturas arquitetónicas, nomeadamente nos grandes santuários construídos no norte da Índia a partir do ano mil cujas altas torres dos templos ganham o carácter de montanhas artificiais, densamente esculpidas com relevos ou estatuária de vulto redondo.

Pintura
Os mais antigos vestígios de pintura hindu, aplicada em paredes de santuários subterrâneos, datam da época budista. Representam sempre episódios da vida de Buda, e assume um carácter essencialmente pedagógico e narrativo. Empregavam tintas com pigmentos minerais que eram aplicadas sobre uma fina camada de reboco que revestia a rocha.
o naturalismo da representação contrasta com a tendência para a codificação simbólica da cor. O sentido perspético era obtido com a simples sobreposição de figuras.
No século II surgem pinturas hindus que, contrariamente às budistas, eram aplicadas a seco sobre o reboco, pelo que se tornaram mais frágeis e por isso mais difíceis de preservar. Os mais antigos exemplares encontram-se na região Tamil, no sul do país.
Após as conquistas muçulmanas e a introdução da técnica da miniatura, esta forma artística torna-se na mais importante forma de pintura hindu. Fortemente influenciada pelos artistas de Mughal, assumem o carácter de ilustrações densamente ornamentadas de livros islâmicos.
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