Arte Islâmica

Introdução
O profeta Maomé fundou o islamismo no século VII d. C., reunindo imediatamente um vasto grupo de seguidores. Originária da península arábica, esta religião monoteísta conheceu uma expansão muito rápida; em poucos séculos expandiu-se a territórios tão distantes como a Índia ou a Península Ibérica.
Unido pela fé, pela língua e por alguma herança cultural comum, o mundo islâmico não possuiu unidade política nem governo centralizado. Pelo contrário, foi constituído por inúmeros reinos e potentados autónomos que determinaram uma complexa teia de dinastias e de povos. O grupo fundador do império islâmico, um povo nómada oriundo da Península Arábica, possuía um reduzido desenvolvimento artístico que se ligava essencialmente à produção de objetos móveis. À medida que o império se expandia, as tradições culturais dos povos conquistados eram absorvidas e adaptadas, formando uma síntese estilística que foi divulgada pelas suas várias regiões.
A proibição religiosa imposta à criação de imagens que pudessem constituir objeto de culto limitou francamente a produção de pinturas e de esculturas. Pelo contrário, a arquitetura e as artes aplicadas (síntese da tradição nómada com a cultura sedentários dos povos conquistados) conheceram, nesta civilização, um enorme desenvolvimento.
A cultura islâmica teve início com a dinastia dos Omeiades (661-750), durante a qual se definiram os seus fundamentos ideológicos assim como as principais tipologias construtivas, como a Mesquita ou o Minarete.
A dinastia seguinte, os Abássidas (750-1258), sintetizou as experiências anteriores com algumas das manifestações da arte persa do período sassânida, o que levou à criação de um novo tipo de edifício, o Mausoléu, assim como a uma maior estilização da ornamentação.

Arquitetura
A arquitetura islâmica, intimamente ligada ao espaço envolvente e à natureza, era eminentemente horizontal, excetuando-se as torres, os minaretes e as cúpulas, que se assumiam como sinais fundamentais da paisagem.
Ao nível construtivo, os muçulmanos basearam muitas das suas soluções arquitetónicas em dois elementos construtivos: o arco e a cúpula. O arco na arquitetura islâmica caracterizava-se pelas inúmeras possibilidades formais (de volta perfeita, em ferradura, quebrado, lanceolado, trilobado, polilobado, peraltado, etc.), normalmente ditadas por necessidades expressivas e não tanto estruturais. As cúpulas assumiam igualmente grande variedade de formas, desde as mais simples semiesféricas até às famosas cúpulas em forma de bolbo.
Os rituais simples da religião muçulmana levaram ao desenvolvimento, no campo da arquitetura religiosa, de cinco tipologias fundamentais: a mesquita, o minarete, a madrasah (escola de Corão), o convento e o mausoléu funerário.
A Mesquita constituía o espaço para o culto em comunidade. Rodeada por muros altos, era constituída por um espaço exterior (por onde se fazia a entrada), um de pátio rodeado por pórticos, e pela sala de orações, cuja parede do fundo continha um pequeno nicho, o mihrab, que indicava a direção de Meca. É evidente nesta tipologia o modelo da basílica bizantina, embora existisse a tendência para aumentar o número de naves, possibilitando a construção de salas quadradas. Algumas mesquitas, inspiradas na imagem da tenda, apresentavam grandes cúpulas centrais.
Associado à mesquita surgia frequentemente o minarete, uma torre de forma tronco-piramidal ou tronco-cónica formada por vários andares, contendo, ora pelo exterior ora pelo interior, rampas ou escadas.
O Mausoléu funerário, bastante divulgado no território indiano, era formado por uma grande sala quadrada, coberta por uma cúpula.
De entre os edifícios civis criados por este povo destacavam-se os palácios dos soberanos, inicialmente construídos no deserto e mais tarde instalados em centros urbanos. Se no primeiro período os palácios adotaram um esquema muito simples, formado por uma série de salas voltadas para um pátio central, a partir da época Safávida estas construções tornaram-se mais complexas e monumentais, sendo constituídas por pavilhões que se articulavam em torno de jardins e de pátios. Nestes edifícios o tema do jardim assim como a relação entre interior e exterior, entre espaço construído e natureza, assumiam uma importância fundamental, como o testemunha um dos mais belos exemplares de palácio muçulmano, o Alhambra de Granada, construído em território hispânico durante o século XIV.

Artes plásticas
As decorações parietais, frequentes nos edifícios islâmicos, tanto ao nível do exterior como nos espaços interiores, eram realizadas em madeira, estuque, tijolo, pedra ou em forma de mosaicos cerâmicos. Associavam geralmente zonas com textos a elementos decorativos formados por motivos geométricos ou vegetalistas (de inspiração greco-romana). O carácter mais ou menos abstrato destes desenhos ornamentais ligava-se às conceções estéticas dos diferentes povos que constituíam o mundo islâmico.
Ultrapassando as tradicionais barreiras entre os géneros artísticos, estes motivos ornamentais foram abundantemente utilizados não só na arquitetura mas também na pintura, na decoração cerâmica e em tapetes.
A cerâmica islâmica foi uma das formas expressivas mais influentes da Arte Islâmica, constituindo um dos pontos de encontro entre a arte da antiguidade e a cultura medieval europeia. Para decoração destes objetos, os árabes adotaram os processos tradicionais dos persas, como o vidrado e o esmalte, que mais tarde foram enriquecidos com algumas das mais sofisticadas técnicas chinesas, transmitidas pelos mongóis no século XIV.
Uma cultura profundamente iconoclasta como a muçulmana não se mostrou propícia ao desenvolvimento da pintura. Foi no campo da miniatura, associado à decoração ou ilustração de livros que este género artístico encontrou alguma possibilidade de aplicação. Das iluminuras realizadas no mundo islâmico destacam-se as iluminuras dos Moghul da Índia, intimamente ligadas à arte hindu.
Pelo contrário, a produção de tapetes atingiu, no contexto da cultura muçulmana, um alto requinte estético, superando largamente os modelos persas que lhes serviram de inspiração.
Como referenciar: Arte Islâmica in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-26 21:57:30]. Disponível na Internet: