Arte Persa

IntroduçãoArquiteturaArtes plásticasIntrodução
Os Persas eram um povo semi-nómada quando, aproximadamente em 550 a. C., o rei Ciro, conquistou a Babilónia, dando início a um dos maiores impérios da antiguidade. O império Persa, herdeiro do antigo reino Assírio, no seu apogeu (durante os reinados de Dario I e de Xerxes) estendia-se desde o território que hoje corresponde ao Irão até ao Egito e à Ásia Menor, fazendo fronteira com a Grécia.
Ciro, que adotou o nome de Rei da Babilónia, foi o fundador da dinastia Aqueménida. Esta dinastia terminou aquando da conquista da Pérsia por Alexandre o Grande em 331 a. C. Sucederam-se então as dinastias Selâucida e Partiana, que se prolongaram até 225 a. C., altura em que Shapur I, fundador da dinastia Sassânida, restaurou a grandeza do império, lutando contra os romanos. Teve então início o segundo grande período da civilização persa que se prolongaria até à conquista do império pelos árabes em 641 d. C. Os reis persas eram monoteístas (os seus rituais religiosos eram realizados em altares de fogo, ao ar livre) e manifestavam publicamente o seu poder com a construção de grandes palácios e de túmulos. Ao nível artístico, a cultura persa revelou influências muito diversas, constituindo-se como uma síntese das manifestações estéticas dos povos conquistados. Com especial desenvolvimento no campo da arquitetura monumental, a arte persa conheceu também notável qualidade expressiva e estética ao nível da produção de objetos utilitários e ornamentais.

Arquitetura
Conhecendo grande desenvolvimento com a dinastia Aqueménida, a arquitetura persa teve especial expressão em edifícios civis de carácter monumental e em túmulos. Uma vez que o culto se realizava ao ar livre, não foram desenvolvidos edifícios de carácter religioso.
O mais antigo testemunho de arquitetura persa são as ruínas de Pasargadae, que foi a capital do império sob o reinado de Ciro, o Grande. O núcleo monumental da cidade incluía dois palácios, uma cidadela fortificada, um recinto sagrado e o famoso túmulo de Ciro. Este túmulo, contrariamente às soluções posteriormente desenvolvidas, era uma construção isolada, executada com blocos de pedra, formada por uma câmara cúbica colocada sobre um alto envasamento em degraus.
Apesar da importância arqueológica e artística do conjunto de Pasargadae, a mais marcante e famosa estrutura arquitetónica persa é o palácio real construído por Dário I, Xerxes e Artaxerxes I na nova capital de Persépolis, iniciada por Dário I em 518 a. C. Erguido, de acordo com a tradição assíria, sobre uma vasta plataforma com acesso por rampas e escadarias, este palácio era formado por grandes salas cujas coberturas eram suportadas por imensas colunas (reminiscência das salas hipóstilas dos templos egípcios) e por inúmeras câmaras e salas mais pequenas. Todo este conjunto de espaços organizava-se em torno de pátios com vegetação. As fachadas do edifício, construídas em tijolo, eram ritmadas por janelas e portas com molduras em pedra ornamentada.
De entre os principais espaços deste complexo destaca-se a denominada "Sala das Cem Colunas", erguida na zona mais elevada do palácio. Esta sala, de planta quadrada, era formada por esguias colunas de dezoito metros de altura e podia receber cerca de dez mil pessoas.
Os túmulos deste período, de que se podem destacar os de Naqsah Rostam, próximo de Persépolis, eram geralmente escavados na rocha.
Após a conquista do império por Alexandre Magno, e nomeadamente durante a dinastia Selêucida, os edifícios persas denunciam uma evidente filiação grega, patente, por exemplo, no templo de Kangavar.
Com a dinastia Sassânida assiste-se ao renascimento da arquitetura de carácter monumental, que assume características bastante diferentes das soluções típicas do período Aqueménida. Fortemente influenciados pela tradição construtiva romana, surgem agora edifícios que ostentam coberturas em abóbada ou cúpula (geralmente realizadas em tijolo) que encerram grandes salas de audiência. Os edifícios palacianos tornam-se mais compactos, reduzindo-se muitas vezes a um único volume. De entre os edifícios que sobreviveram até hoje, como os de Firuzabad, Girra e Sarvestan, destaca-se o palácio real de Shpur em Ctesifonte, erguido entre 272 e 242 a. C., famoso pela enorme sala de audiências com abóbada em tijolo e pela alta fachada decorada por arcadas cegas, com grande efeito decorativo.

Artes plásticas
A escultura persa era geralmente realizada com o objetivo de integrar estruturas arquitetónicas, assumindo consequentemente características e escalas monumentais.
Os relevos comemorativos, executados em paredes lisas de rochedos, durante a dinastia Aqueménida, constituem os mais antigos testemunhos de escultura de grande dimensão. Estes relevos, influenciados pelos modelos Assírios revelam maior naturalidade na representação a uma acentuada rigidez compositiva.
É no palácio de Persépolis, construído nos reinados de Dário I, Xerxes e Artaxerxes I, que se encontram alguns dos mais interessantes exemplos de escultura persa. Daqui salientam-se os capitéis das colunas (formados por dois frontais de touros simétricos sobre um suporte de carácter vegetalista) e os relevos parietais, como os da dupla escadaria principal do palácio.
Era ainda frequente a utilização de escultura em relevo para decoração das paredes de túmulos escavados na rocha, como o de Xerxes em Naqsh-i-Rustam (c.465 a. C.).
Para além do relevo sobre pedra, os persas empregaram o tijolo vidrado, de raiz babilónica, formando relevos coloridos, de que é exemplar o friso de archeiros de tamanho natural do palácio real de Susa.
Após a invasão de Alexandre Magno, acentuou-se a influência da arte grega e helenística, visível em inúmeras esculturas em bronze. Após a reconstrução do império pela dinastia Sassânida, recuperou-se o relevo comemorativo de grande dimensão, realizado sobre rochedos. De entre estes destaca-se o relevo de Naqshah Rostam, comemorando a vitória de Shapur I sobre os romanos.
Para além da escultura de carácter monumental, os persas desenvolveram formas artísticas de pequena dimensão, tais como peças de joalharia, objetos utilitários ou armas ornamentadas. Produziram inúmeros objetos em ouro ou prata, decorados com elementos abstratos ou figurativos, geralmente copiando e alterando a escala das formas utilizadas na escultura.
Durante a dinastia dos Sassânidas, as produções de sedas e de tapeçarias conheceram amplo incremento. As soluções formais, ao nível das cores e dos padrões, tiveram uma influência muito forte na cultura islâmica, desde o século VII.
Como referenciar: Arte Persa in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-02-18 23:42:45]. Disponível na Internet: