Arte Suméria

Introdução
A região da Mesopotâmia (correspondendo aproximadamente aos limites atuais do Iraque), onde o povo Sumério se estabeleceu aproximadamente em 4000 a. C., é um imenso vale, definido por dois importantes rios, o Tigre e o Eufrates, que desaguam no Golfo Pérsico. Este fértil território foi palco, durante a antiguidade, de inúmeras ocupações, assistindo a uma contínua sucessão de povos (nómadas ou semi-nómadas), de cidades-estados e de impérios, de entre os quais se destacam os Sumérios, os Acádios, os Babilónicos, os Assírios, os Persas.
As primeiras povoações sumérias concentravam-se ao longo dos rios, dedicando-se à agricultura. Mais tarde as aldeias transformam-se em cidades amuralhadas que ganharam estatuto político relativamente autónomo. De entre estas destacam-se as cidades de Ur, de Uruk, de Nippur e de Lagash. A arte suméria alcança um primeiro período de maturidade aquando da ascensão da dinastia de Ur (sediada na cidade do mesmo nome). Para além das famosas estruturas arquitetónicas, esta dinastia produziu algumas esculturas, de dimensão média ou pequena, baixos-relevos em estelas (placas de pedra) e objetos utilitários.
Ao primeiro período dinástico, interrompido aquando da invasão Acadiana, aproximadamente em 2300 a. C., sucedeu, dois séculos depois, a fase neo-suméria, durante a qual algumas das antigas cidades-estados conseguiram restabelecer-se, derrotando os invasores.

Arquitetura
A arquitetura suméria difere da arquitetura egípcia pelo exclusivo emprego de tijolo, pois a região era muito pobre em pedra. Das muitas estruturas arquitetónicas erguidas por esta civilização, sobreviveram alguns setores urbanos, um conjunto de necrópoles e de templos de grande dimensão, chamados Zigurates.
Na Suméria, cada cidade-estado tinha o seu Deus, constituindo uma obrigação do seu rei, enquanto representante terrestre desse deus protetor, a construção de um local de culto para sua veneração. Estes templos, que primitivamente eram pequenas estruturas com forma oval, transformaram-se mais tarde em grandes edifícios, construídos em tijolos de argila secos ao sol. Com plantas regulares, de base quadrada ou retangular, eram constituídos por plataformas elevadas, que formavam torres, sobre as quais se erguiam os santuários. De entre estas construções destaca-se o Zigurate de Ur-Nammu, o rei fundador da III dinastia de Ur, cerca de 2100 a. C. Formado por uma série de terraços sobrepostos (que de certa forma recordam as pirâmides em degraus da arte egípcia), aos quais se acedia por rampas ou vastas escadarias, este templo apresenta paredes maciças que são ritmadas por saliências e reforçadas por torres.
Contrariamente aos templos que alcançaram um desenvolvimento tecno-construtivo e formal, os túmulos Sumérios, geralmente enterrados e abobadados no interior, são destituídos de importância em termos arquitetónicos.

Artes plásticas

A estatuária suméria realizada em pedra (geralmente em diorite, um material muito duro e escuro), encontra fortes limitações técnicas pela escassez da matéria-prima, razão pela qual a maior parte das esculturas são de pequena dimensão. Bastante idealizadas e estilizadas, as estátuas adaptavam-se formalmente ao bloco de pedra que as originou, pela adoção de volumes geométricos simples que consagraram algumas regras canónicas, como a frontalidade, a simetria e a posição das figuras (de pé ou sentada num trono). Representavam quase invariavelmente figuras isoladas, deuses, altos funcionários (representantes do poder civil e religioso) ou personagens femininas.
Para os Sumérios, a estátua substituía o ser representado, servindo essencialmente para rituais de veneração. A necessária identificação do personagem era concretizada não só através da inscrição do seu nome na própria escultura mas também pelo cuidado posto na representação do rosto, normalmente desproporcionado em relação ao corpo.
Entre os melhores exemplos de escultura suméria conta-se a série de estátuas em diorite, realizadas no século XXI a. C., representando o governador Gudea, da próspera cidade de Lagash, em várias posições (ora de pé, ora sentado num trono). Estas peças apresentam grande homogeneidade de soluções ao nível do tratamento do rosto e dos braços.
O relevo sobre pedra (aplicado em rochedos, estelas ou placas), bastante difundido no mundo mesopotâmico, servia intenções essencialmente narrativas e comemorativas. Contrariamente à escultura, que representava geralmente figuras isoladas, nos relevos surgiam cenas com várias figuras, evocando os acontecimentos históricos mais significativos de determinada cidade ou dinastia. Na "Estela dos Abutres" de Lagash, datada da segunda metade do III milénio, as cenas foram dispostas em planos sobrepostos, formando uma sequência narrativa que articulava texto e imagens.
Tendo sido um dos povos pioneiros no trabalho de metal, os Sumérios levaram esta forma artística a um notável nível de desenvolvimento técnico e estético. Muitos exemplares de objetos em ouro, prata, madeira e marfim, geralmente associando ouro e prata foram descobertos em recentes escavações nas principais necrópoles sumérias.
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