arteriosclerose

Expressão genérica que designa o espessamento e endurecimento das paredes arteriais e que é responsável, atualmente, pela maioria das mortes nas sociedades ocidentais.
O tipo de arteriosclerose mais frequente é a aterosclerose, que é a doença das artérias de grande calibre e que causa doença das artérias coronárias cardíacas, aneurismas aórticos, doença arterial das extremidades e doença cérebro-vascular. Outros tipos de arteriosclerose são a arteriosclerose calcificante focal (esclerose de Monckberg) e a arteriolosclerose.
A parede das artérias sofre envelhecimento natural com aumento da espessura da sua camada interna (íntima, revestida de células endoteliais). Esse espessamento resulta da proliferação de células musculares e de tecido fibroso. Por isso, ao conceito clássico da arteriosclerose como doença degenerativa junta-se agora a perspetiva de doença proliferativa. Para este processo difuso e generalizado contribui também o depósito de lípidos ou gorduras (colesterol e esfingomielina), formando em áreas com maior atrito e turbulência, por exemplo, as bifurcações e estenoses arteriais, placas fibrosas elevadas. As lesões do endotélio, sejam químicas (como, por exemplo, na hipercolesterolemia, no fumo do tabaco e na hiperglicemia da diabetes) ou mecânicas (como na hipertensão arterial), estimulam a formação e a progressão da aterosclerose.
Há basicamente quatro tipos de lesões características da aterosclerose, que não são independentes mas resultam duma contínua progressão da própria doença: lesões iniciais, onde microscopicamente se observa espessamento do endotélio e deposição de lípidos, estria lipídica, onde macroscopicamente é visível a deposição de lipídeos, placa fibrosa, onde se vê uma elevação da superfície endotelial diminuindo o seu lúmen, e lesão complicada, que é uma placa irregular e ulcerada de onde se libertam pequenos fragmentos com potencialidade embólica, causando fenómenos isquémicos a jusante (doença aterotrombótica).
A arteriosclerose e a aterosclerose contribuem para o aparecimento de doença cardíaca isquémica (angina de peito, enfarte de miocárdio), doença vascular cerebral (trombose e hemorragia ou derrame cerebral), doença renal (nefrosclerose e insuficiência renal), doença isquémica intestinal (necrose isquémica intestinal aguda), dissecção aórtica e insuficiência circulatória dos membros inferiores aguda (gangrena) ou crónica (claudicação intermitente).
Há então fatores de risco vascular que aceleram a progressão da aterosclerose. O facto de muitos deles serem modificáveis no sentido da correção e de essa modificação retardar a progressão do processo leva a que a grande atitude em relação à arteriosclerose seja tomada no sentido da prevenção. Assim, a hiperlipidemia (aumento de colesterol e de triglicerídeos circulantes) corrige-se com dieta adequada, exercício físico regular e eventualmente com medicamentos, a HTA pode ser corrigida com dieta, correção de excessos ponderais e medicamentos, a diabetes pode ser controlada, o fumo do tabaco pode evitar-se, a obesidade corrigir-se, o sedentarismo pode contrariar-se e a personalidade e a vivência do stress podem ajustar-se.
A arteriosclerose é um problema maior de saúde mundial. O facto de a sua progressão ser silenciosa e só dar sinais de si quando muito está já irreversivelmente deteriorado deve levar a investir os melhores esforços na educação da população para a promoção da saúde com intenções preventivas.
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