Articulismo romântico

O m. q. jornalismo romântico. O jornalismo é uma das manifestações mais importantes do Romantismo, entendido como fenómeno cultural abrangente. Cerceado durante muito tempo pela censura, o jornalismo político desenvolveu-se depois da instalação definitiva do regime constitucional, em 1834, embora logo após a revolução de 1820 e no período liberal entre 1826 e 1828 se tenha assistido a um surto de jornais políticos, que asseguraram as difíceis tarefas de informar e formar a opinião pública. Os escritores românticos não desdenharam colaborar no jornalismo político: Almeida Garrett (1799-1854) redigiu, durante o seu exílio em Inglaterra, O Cronista (1827) e O Chaveco Liberal (1829) e colaborou em O Português (1826-1827); A Revolução de setembro (1840-1892), de António Rodrigues Sampaio (1806-1882), teve como colaboradores alguns dos mais destacados vultos das letras portuguesas, entre os quais o crítico literário Lopes de Mendonça (1827-1865).
No âmbito do jornalismo propriamente literário, o surto de revistas, jornais e gazetas consagrados à instrução, ao recreio e à literatura (na vertente de folhetins, poesias e crítica literária) foi igualmente significativo. Dos muitos títulos surgidos até 1850 salientam-se o Repositório Literário (1834-1835), O Cosmorama Literário (1840), O Panorama (1837-1868), projetado e redigido nos primeiros tempos por Alexandre Herculano (1810-1877), e a Revista Universal Lisbonense (1841-1859), cujo redator inicial foi António Feliciano de Castilho (1800-1875). Na segunda metade do século, destacam-se a Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865) e a Ilustração Luso-Brasileira (1856-1859). Ligadas à terceira geração romântica, de influência realista e/ou parnasiana, refiram-se A Folha (1868-1873), a Revista Ocidental (1875) e a Revista de Portugal (1889-1892), fundada por Eça de Queirós (1845-1900). Para além das revistas e jornais literários, devem mencionar-se os periódicos de poesia propriamente ditos, com destaque para as revistas coimbrãs O Trovador (1844-1848) e O Novo Trovador (1856) e as portuenses O Bardo (1852-1854) e A Grinalda (1855-1869).

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