Artur Semedo

Ator e realizador português nascido a 2 de novembro de 1925, em Arronches, no distrito de Portalegre, e falecido a 8 de fevereiro de 2001, em Lisboa. Foi ainda no liceu, em Portalegre, que demonstrou vocação para a vida artística e o escritor José Régio, na altura seu professor, ao constatar este talento, escreveu-lhe uma peça em três atos chamada Sonho em Véspera de Exame. Com onze anos, Artur Semedo, por influência de uma família com tradições militares, foi inscrito no Colégio Militar, em Lisboa, mas, seis anos depois, quando estava quase a acabar o liceu, acabou por ser expulso. Foi então para Coimbra estudar Ciências, mas cedo percebeu que era a vida artística que lhe interessava. Assim, aos 19 anos, regressou à capital para ingressar no Conservatório Nacional, ao mesmo tempo que dava os primeiros passos no teatro nos Comediantes de Lisboa, onde foi dirigido por Ribeirinho e contracenou com João Villaret e António Silva. Entretanto, terminou o curso do Conservatório, em 1949, e o exame final valeu-lhe o prémio Eduardo Brazão. Nesse mesmo ano, estreia-se no cinema como ator, ao entrar nos filmes Sol e Toiros, de José Buchs, e Vendaval Maravilhoso, de Leitão de Barros. Seguiu-se uma interpretação de elevado cunho dramático naquele que viria a ser considerado o primeiro filme neorrealista português: Os Saltimbancos (1952), ao lado de Maria Olguim. Depois de participar em alguns filmes, conquista, em 1954, a imagem de galã a partir de O Cerro dos Enforcados, de Fernando Garcia. A estreia como realizador ocorreu em 1956, com o filme O Dinheiro dos Pobres. Nos primeiros anos da televisão em Portugal, que começou a emitir regularmente em 1957, participou em séries cómicas como O Carlinhos e a Lena e Dr. Borelli. Ao mesmo tempo, tinha também participações em programas de rádio. Paralelamente, passou pelo Teatro Monumental, onde esteve onze anos e ao longo dos quais trabalhou com Laura Alves, em peças como A Rainha do Ferro-Velho (1958), Criada para Todo o Serviço (1960) e Meu Amor é Traiçoeiro (1964). Depois de ter passado algum tempo no Brasil, regressou a Portugal para uma experiência de teatro de revista no Parque Mayer (no ABC e no Villaret), mas opta por abandonar os palcos para se dedicar por inteiro à sua assumida paixão: o cinema. Atrás das câmaras, dirigiu ainda Malteses, Burgueses e às Vezes, em 1973, O Rei das Berlengas, com Mário Viegas, em 1977, O Barão de Altamira, que também protagonizou, em 1987, e, no ano seguinte, Querido Lilás, onde Herman José era o principal ator e que valeu a Artur Semedo o Grande Prémio do Cinema Português. Participou também como ator na série humorística Humor de Perdição (1987), onde interpretou a personagem Pato. Em 1990, realizou a última longa-metragem da carreira, Um Crime de Luxo, com Marina Mota e Carlos Cunha. Ao todo, Artur Semedo participou, nas qualidades de ator, realizador ou argumentista, em mais de 80 filmes, alguns dos quais estrangeiros, como é o caso de Der Stand der Dinge (O Estado das Coisas, 1982), do alemão Wim Wenders. A sua última participação como ator foi em Aqui D'El-Rei (1992), de António Pedro Vasconcelos. Para além dos dotes como ator e realizador, Artur Semedo também se tornou conhecido pela luva preta que desde sempre usava na mão direita, assim como pelo incondicional apoio que dava ao Benfica, que o levava a participar com frequência em debates sobre o estado do clube.
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