Arvo Pärt

Compositor estónio, nascido em Paide, a 11 de setembro de 1935. Cresceu em Tallinn e, em 1954, iniciou os seus estudos musicais na Escola de Música de Tallinn, só interrompidos durante um ano para cumprir o serviço militar. De 1958 a 1967 foi diretor de gravação e compositor de bandas sonoras para a Rádio Estónia. Durante este período, estudou composição sob a tutela de Heino Eller no Conservatório de Tallinn, formando-se em 1963.
Os seus primeiros trabalhos, compostos enquanto estudante, demonstram a influência de compositores neoclássicos russos, tais como Shostakovich e Prokofiev.
A sua primeira obra orquestral, Necrolog (1960), foi a primeira composição numa nova fase experimental, usando o método dodecafónico de Schoenberg. Deste período são também a cantata Meie aed (Our Garden) e o oratório Maailma samm (Stride of the World), galardoados com o primeiro prémio da All-Union Young Composers, em Moscovo, no ano de 1962. A sua obra (proibida) de 1963, Symphony Nº1 (polifónica), foi dedicada ao seu mestre, professor Eller, e é notável por uma estrutura de 12 tons relativamente limpa, um serialismo íntegro e algumas incursões no sonorismo, um conceito estético musical contemporâneo, também designado por "poesia sonora" ou "música matérica", com recurso à eletroacústica e ao microtonalismo.
À técnica que inventou, e à qual permaneceu sempre fiel, sem exceção, chamou "tintinnabuli" (do latim, pequenos sinos). O seu princípio básico é a composição de duas vozes como uma só linha: uma voz "move-se lentamente", primeiro subindo, depois descendo, ao passo que a outra entoa as notas da tríade.
À medida que a música de Pärt começou a chegar ao Ocidente e a sua luta contra o sistema soviético se intensificava, a sua frustração também aumentava, levando-o a emigrar com a sua mulher e seus dois filhos.
Os planos iniciais tinham Israel como destino, mas, com a ajuda do seu editor ocidental, conseguiu estabelecer-se em Viena, onde conseguiu a nacionalidade austríaca. Um ano depois mudou-se para Berlim Ocidental como bolseiro do German Academic Exchange, onde passou a viver.
Desde que deixou a Estónia, Pärt dedicou-se ao estudo de textos religiosos para as suas futuras composições, das quais se destacam St. John Passion (1982), Te Deum (1984-86, rev. 1993) e Litany (1994). Composições para coro SATB (soprano, alto, tenor, baixo) como Magnificat (1989) e The Beatitudes (1990) provaram a sua popularidade no meio musical entre coros de todo o mundo.
Posteriormente, a editora ECM editou as primeiras gravações de Pärt fora do bloco soviético, entre as quais, Paul Hillier's Hilliard Ensemble (mais tarde Theatre of Voices) que interpretou várias composições vocais, e Neeme Jarvi, um colaborador de longa data de Pärt, que conduziu a estreia da composição Credo em Tallinn, no ano de 1968, e gravou várias composições "tintinnabuli", apresentando as primeiras composições de Pärt.
Arvo Pärt foi distinguido em 1996 com a eleição para a Academia Americana de Artes e Letras.
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