árvore da vida

O mito universal da Árvore da Vida, também chamada de Árvore do Mundo, está relacionado com a génese do Universo, da Humanidade e do Conhecimento. A sua simbologia está também ligada ao sacrifício e à cruz em grande parte das mitologias religiosas de vários povos do Mundo, para além dos Cristãos, como os Maias, os Vikings ou os Hindus.

A Árvore da Vida era vista como a mãe primordial, um elemento feminino que gerava e distribuía a vida e tinha ainda o dom de atribuir a palavra. Por essa razão nos referimos às páginas dos livros como folhas, dado que a linguagem estaria escrita nas folhas da Árvore da Vida.
Na tradição maia, a Árvore Verde da Abundância crescia na península do Yucatan e abrigaria aqueles que seguissem à risca todos os rituais religiosos e chegassem a atingir o paraíso. Era também a árvore onde o deus salvador seria crucificado, uma ideia que encontrou eco na tradição cristã.

A sua associação ao sacrifício também pode ser encontrada junto dos Vikings - o deus Odin enforcou-se na Árvore do Mundo -, na tradição hindu - Krishna morreu numa árvore, o mesmo tendo acontecido a Átis, enquanto que, na mitologia egípcia, Osíris morreu encerrado dentro de uma árvore. Entre os Saxões, os homens que encarnavam o seu deus eram enforcados em árvores e oferecidos à deusa saxã Andaste.

Na tradição cristã, o mito foi prolongado dado que alguns dos primeiros Evangelhos, nomeadamente o de São Pedro, referiam que Jesus teria sido crucificado numa árvore e não numa cruz. Mais tarde alguns teólogos cristãos defenderam que a cruz cristã deveria ser associada com a Árvore da Vida.

Os sacrifícios mitológicos oferecidos à Árvore do Mundo tinham o objetivo de alimentar e dar força a um elemento feminino que por sua vez era a força criadora de toda a existência.

Na Índia e na antiga Pérsia, a Árvore da Vida era representada por cinco ramos que simbolizavam os elementos primordiais terra, ar, água, fogo e éter. Esta árvore-mãe teria dado o dom da palavra à Humanidade, da mesma forma que a deusa Kali teria inventado o alfabeto sânscrito.

Na Idade Média europeia, a Árvore da Vida estava ligada ao mito do paraíso eterno, uma visão partilhada pela tradição de todos os povos indo-europeus e que veio a ser representada nas tradições de toda a Europa como a Árvore das Fadas da tradição celta ou a macieira de Avalon. Nas mitologias clássicas grega e romana abundam as representações de mulheres divinas e deusas transformadas em árvores, como Dafne, Dione, Myrrha e Istar, esta última na tradição babilónica.



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