asiática (medicina)

A gripe asiática foi uma das maiores epidemias mundiais de gripe.
O seu nome advém do local de origem da estirpe viral causadora da patologia, iniciada no continente asiático, nomeadamente, no Norte da China, em fevereiro de 1957.
O vírus expandiu-se rapidamente, atingindo, em cerca de dois meses, Singapura e Hong-Kong, locais de onde se disseminou para outros pontos do globo, como o continente australiano e a Índia. Em meados de 1957, toda a zona oriental asiática se encontrava afetada pela gripe asiática. No início da segunda metade do ano, o vírus atingiu a África, disseminando-se em direção à Europa e daqui para os Estados Unidos, onde chegou em outubro. A rápida passagem entre o continente africano e a Europa deveu-se à existência de um elevado fluxo de pessoas entre ambos os pontos, em consequência de, nesta altura, serem em grande número as colónias europeias em diversos países africanos.
Em Portugal, a gripe entrou no dia 7 de agosto, através do desembarque de passageiros provenientes de África, no navio Moçambique, onde a epidemia se fazia sentir de uma forma intensa. O pico da infeção decorreu no mês de outubro, coincidente com a chegada do tempo frio e o aumento da aglomeração de pessoas em espaços fechados, facilitando o trânsito do vetor infecioso.
Dependendo dos locais, a incidência da gripe variou entre os 20 e os 80% do total da população, provocando cerca de um milhão de mortos em todo o Mundo.
A rápida expansão da gripe em 1957 deveu-se ao surgimento de importantes mutações nos antigénios de superfície do vírus, tornando-o bastante diferente do responsável pela gripe do ano anterior. Como este novo subtipo do vírus Inluenza, denominado de H2N2, não era reconhecido pelo sistema imunitário, rapidamente conseguia infetar o hospedeiro que, por sua vez, atuava como novo agente disseminador. A juntar a este facto, o desenvolvimento dos meios de transporte permitia um fluxo mais rápido e intenso de passageiros entre os diversos pontos do planeta, acelerando a propagação da gripe.
Como todas as gripes, caracterizou-se por ser uma doença infeciosa aguda do aparelho respiratório e altamente contagiosa, quer de forma direta, quer indireta, através de objetos contaminados com secreções nasofaríngeas.
Os sintomas são, principalmente, febre, astenia, dores musculares, cefaleias, prostração, tosse, coriza e, nalguns casos, náuseas, prisão de ventre e perca de apetite.
Embora de evolução geralmente benigna, podem surgir complicações em determinados casos (sendo a mais frequente a pneumonia), conduzindo à morte. Esta evolução afeta principalmente crianças muito jovens, idosos, pessoas com sistema imunitário debilitado ou doenças crónicas que afetem o coração, pulmões, rins ou outros órgãos vitais.

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