Astor Piazzolla

Músico e compositor argentino, Astor Pantaleón Piazzolla nasceu a 11 de março de 1921, em Mar del Plata, na Argentina.

A família emigrou para Nova Iorque três anos após o seu nascimento, o que viria a proporcionar ao jovem Piazzolla a exposição a vultos do jazz como Duke Ellington e Cab Calloway. A juntar a estas influências, seu pai era um devoto admirador do tango de Carlos Gardel, cujos discos escutava com muita frequência.
Aos nove anos, o pequeno Astor foi presenteado com uma concertina e respetivas lições. Em 1933, Astor aprendia piano com a pianista clássica Bela Wilda, tornando-se um adepto de Bach e Rachmaninoff. É por essa altura que o jovem prodígio conhece Carlos Gardel, com quem viria a tocar. Adicionalmente, Astor participou no filme "El Dia Que Me Quieras", de Gardel, fazendo uma pequena figuração como ardina.

Em 1935, Astor recusou fazer parte de uma digressão de Gardel pela América do Sul, escapando ao trágico acidente de aviação que roubaria a vida ao seu mentor. Um ano mais tarde, a família Piazzolla regressou a Mar del Plata. A paixão de Astor pelo tango foi reavivada por influência do sexteto do violinista Elvino Vardaro.

Ainda em idade jovem, Astor muda-se para Buenos Aires em 1938, à procura de emprego como músico. Um ano depois, juntava-se à afamada orquestra de Aníbal Troilo, o que lhe conferiu um estatuto e uma fama que não tinha conseguido até aí. Contudo, Astor nunca abandonou os estudos de piano e teoria musical. De entre os seus professores, destacam-se o compositor clássico Alberto Ginastera (ensinou-o em 1941) e o pianista Raul Spivak (foi seu professor em 1943). Durante este período, Astor já compunha para a orquestra de Troilo.

Em 1944, deixa o grupo e torna-se maestro da orquestra de apoio do cantor Francisco Fiorentino. Dois anos mais tarde, forma o seu próprio grupo, tocando essencialmente os tangos tradicionais, ainda que já com alguns laivos de modernismo. Este grupo separou-se em 1949 e Astor Piazzolla, com alguma incerteza sobre o rumo a seguir, optou por deixar o tango e debruçar-se sobre trabalhos mais refinados. Assim, estudou Ravel, Bartók e Stravinsky, interessando-se também pelo jazz americano. O aprimoramento da sua técnica de composição era visível na peça "Buenos Aires" (1953), onde o acórdeão marcava presença surpreendente no seio da formação clássica de uma orquestra.

Em 1954, Piazzolla consegue uma bolsa de estudo para Paris, com o apoio da influente Nadia Boulanger, que já havia ensinado Aaron Copland, Phillip Glass e Quincy Jones, entre muitos outros. Boulanger encorajou Piazzolla a não menosprezar o tango, antes a reinventar esse género com a ajuda da sua perícia no jazz e no estilo clássico. O regresso à pátria, em 1955, reaproximou o músico do tango. Piazzolla formou um octeto que tocava o tango como música de câmara, não como som de suporte a um cantor. A afronta levantou um coro de protestos dos puristas e os ecos dessas reclamações não se extinguiram até à partida de Piazzolla para Nova Iorque, em 1958. Aí, o músico experimentou a fusão do jazz e do tango, compondo a famosa peça "Adiós Nonino", uma ode sentida sobre a perda recente do seu pai.

O regresso a Buenos Aires aconteceu em 1960. Piazzolla formou o Quinteto Tango Nuevo que haveria de tornar-se o veículo primeiro para a sua visão vanguardista. Durante os anos 60, o músico refinou o experimentalismo, esticando a estrutura formal do tango até aos seus limites. Em 1965, lançou um disco do seu concerto no Philharmonic Hall de Nova Iorque e um álbum de poemas de Jorge Luis Borges adaptados a música. Em 1967, Piazzolla conseguiu o exclusivo do poeta Horacio Ferrer. Dessa dupla viria a resultar o excelso "María de Buenos Aires", interpretado inicialmente na voz de Amelita Baltar (1968). A dupla voltaria a colaborar numa série de canções-tango, entre as quais o primeiro êxito comercial de Piazzolla, a canção "Balada Para Un Loco". Neste período, Piazzolla também escreveu as bandas sonoras de alguns filmes latinos.

Os anos 70 trouxeram-lhe a aclamação na Europa, graças a uma bem sucedida digressão na companhia de um grupo de nove elementos que conferiam à sua música um ambiente especialmente grandioso. Contudo, a subida ao poder de uma ditadura militar na Argentina haveria de reverter o entusiasmo pelo refinamento do tango e pela modernidade de Piazzolla.

Em 1973, depois de recuperar de um ataque cardíaco, o músico decide estabelecer-se em Itália, dado o revés político no seu país. Formou o Conjunto Eletrónico, com o acórdeão a assumir protagonismo central do que era, essencialmente, um ensemble jazz, puramente instrumental. Neste período concebe uma das suas mais célebres composições: "Libertango" (1974). Só dois anos mais tarde, pôde regressar à Argentina, atuando com o Conjunto Eletrónico e estreando a peça "500 Motivaciones".

Em 1978, Piazzolla formou novo quinteto e partiu numa extensa digressão pelo mundo. A sua reputação crescia gradualmente, adivinhando-se a sua projeção no mercado americano, na segunda metade da década de 80. Em 1986, voltou ao estúdio com o seu quinteto e, com o produtor americano Kip Hanrahan, gravou aquele que é considerado o melhor álbum da sua carreira, "Tango: Zero Hour". No mesmo ano, tocou no festival de jazz de Montreux, com o vibrafonista Gary Burton. Esse momento seria posteriomente registado em disco. O sucessor de "Tango: Zero Hour", "The Rough Dance and the Cyclical Night" mereceu excelentes críticas e rendeu-lhe um grandioso espetáculo no Central Park de Nova Iorque, corria o ano de 1987.

No pico da sua fama internacional, a saúde de Piazzolla degradou-se sucessivamente. Ainda assim, o músico fez uma digressão mundial em 1989, que incluiu aquele que seria o seu último concerto na Argentina. "La Camorra" foi editado em 1989, o ano em que Piazzolla formou novo sexteto, com a novidade de, em vez de apenas um acórdeão, o músico sugerir agora dois.

Em 1990, Piazzolla gravou um mini-álbum ("Five Tango Sessions") com o Kronos Quartet. Pouco tempo depois, um problema cardíaco deixá-lo-ia incapacitado de escrever. Quase dois anos mais tarde, a 4 de julho de 1992, Piazzolla morre com 71 anos em Buenos Aires, deixando um legado digno de uma das mais emblemáticas figuras da cultura da América Latina e de um dos compositores essenciais do século XX.
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