Augusto Trigo

Pintor, ilustrador, publicitário e autor de banda desenhada, Augusto Fausto Rodrigues Trigo nasceu em Bolama, atual Guiné-Bissau, a 17 de outubro de 1938. Com a prematura morte do pai, veio para Lisboa com 7 anos, tendo estudado na Casa Pia como aluno interno. Sem se destacar nas disciplinas teóricas, dedicou-se às atividades manuais, como prova a realização de um presépio feito em madeira, que lhe valeu o 1.º Prémio num concurso promovido entre diversas escolas. Foi transferido para a secção de Pina Manique da mesma Casa Pia, onde esteve no curso de talha e escultura, sob a orientação do escultor Martins Correia.
Uma vez saído da Casa Pia de Lisboa, em 1957, trabalhou como ilustrador publicitário, mas por pouco tempo, pois regressou à Guiné-Bissau em 1958, onde deixara a mãe e irmãos. Aí, arranjou trabalho como desenhador de Cartografia, aproveitando para se dedicar com empenho à Pintura, nos seus momentos livres.
As aguarelas e os óleos que produziu sobre a sua terra natal levaram à realização de uma exposição em fevereiro de 1964, que lhe abriu as portas a uma encomenda de pinturas por parte do Governo da então Província Ultramarina. O ano de 1965 foi marcado pela realização da sua segunda exposição e pela execução de um painel de grandes dimensões para o novo edifício do Centro de Informação e Turismo, local onde a sua obra esteve exposta.
O imponente Palácio Foz, localizado nos restauradores, em Lisboa, recebeu a sua terceira exposição de Pintura, em abril de 1966, sob os aplausos da crítica.
Entretanto, passou a repartir a sua atividade artística (Pintura, Ilustração e Escultura) com o ensino de Trabalhos Manuais e Desenho. Ainda ao nível do ensino, ilustrou manuais da 1.ª e 2.ª classe, prática que retomou mais tarde.
Após a independência da Guiné-Bissau, em 1974, permaneceu neste novo país e foi dirigir o Departamento de Artesanato Nacional. Realizou, por essa altura, um quadro para o Banco Nacional, que serviu uma das faces da nota de 1000 pesos emitida por aquele banco central.
Regressou a Lisboa definitivamente em setembro de 1979, experimentando uma nova realidade artística, a banda desenhada.
A sua primeira história aos quadradinhos publicada foi "O Visitante Maldito", baseado num conto de João Maria Bravo, que apareceu na revista Mundo de Aventuras (V série) em 1980, tendo surgido também no Jornal do Exército em 1984 e em álbum em 1986 (das Edições Futura). Para além de participar no Mundo de Aventuras (V série), colaborou também com Mundo de Aventuras Especial, "Quadradinhos" (II série - suplemento do jornal A Capital), Jornal da BD, O Mosquito (V série) e o Jornal do Exército.
Dos seus trabalhos mais representativos, para além do referido "O Visitante Maldito", realce para a sua profícua colaboração com o argumentista Jorge Magalhães, com quem formou uma notável dupla de autores de histórias de aventura, realizando entre outros: "A Luz do Oriente" (que apareceu no "Quadradinhos" II série, em 1980-81 e no Jornal do Exército, em 1983, editado em álbum pela Futura em 1986); "Wakantanka: O Bisonte Negro" ("Quadradinhos" II série em 1981-82, Mundo de Aventuras em 1981-83, Jornal da BD em 1984-85 e álbum da Edinter em 1985); "Excalibur: O Anel Mágico" (Tintin em 1982, Almanaque O Mosquito em 1986, Jornal da BD em 1987, álbum da Meribérica/Liber em 1988); "Ranger: A Vingança do Elefante" (O Mosquito V série em 1984-85, Mundo de Aventuras em 1986, Jornal da BD em 1987 e álbum da Meribérica/Liber em 1988); "Wakantanka: O Povo Serpente" (Mundo de Aventuras 1985-86, Jornal da BD 1986 e álbum da Meribérica/Liber em 1988). Neste conjunto de trabalhos fica patente o seu virtuosismo na representação realista, tanto no ambientes histórico da Távola Redonda em "Excalibur", como da sua África natal em "A Vingança do Elefante ou dos povos índios da América do Norte", em "Wakantanka".
Ainda com o mesmo argumentista e mantendo o seu muito representativo traço realista, realizou um conjunto de histórias para a Coleção "Lendas de Portugal em banda desenhada", das Edições ASA, série que foi iniciada no Jornal do Exército, com "A Lenda do Rei Rodrigo", publicada em 1985 e editada em 1988 e com "A Moura Encantada", publicada em 1985-87 e editada em 1988. Seguiram-se A Lenda de Gaia, que apareceu diretamente em álbum em 1989, A Dama Pé de Cabra (álbum de 1989) e A Moura Cassima (álbum de 1991).
Para além deste conjunto de histórias, que surgiram tanto em publicações periódicas como em álbum, deve ser referido que para o Jornal do Exército apresentou em 1987 um conjunto testemunhos verídicos, sob o título de "Virtudes Militares", retratando a probidade, a abnegação, a lealdade ou o soldado "milhões".
Atualmente continua a ilustrar, numa toada mais humorística e infantil, para a revista do Montepio Geral, instituição para quem também realizou entre 1999 e 2000 a banda desenhada Tio Pelicas Investiga: A Essência Mutualista, com textos de Paula Guimarães. Esta história, que apresenta aos mais pequenos a importância do mutualismo na nossa sociedade, surgiu inicialmente em cinco fascículos distribuídos aos membros do Clube do Tio Pelicas (dedicado os associados mais novos do Montepio Geral), aparecendo posteriormente toda a história reunida numa edição em álbum, da responsabilidade da mesma Associação Mutualista. Ainda ao nível da BD, colaborou na revista Seleções BD (II série), publicada entre novembro de 1998 e maio de 2001.
De entre os seus trabalhos de Ilustração, participou em finais dos anos 90 na realização de manuais de História e Geografia de Portugal, do 5.º e 6.º ano, para além de ter ilustrado toda a Coleção "Clássicos Juvenis", da Verbo, composta por 28 títulos de autores portugueses e estrangeiros (Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto; A Volta ao Mundo em 80 Dias, de Jules Verne, Os três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas; O Corsário Negro, de Emilio Salgari; A Ilha do Tesouro, de Robert Louis Stevenson; As Minas de Salomão, de Rider Haggard, sob tradução de Eça de Queirós; Robinson Crusoé, de Daniel Defoe; O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, Sandokan, de Emilio Salgari; A Cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stone, entre outros), bem como da Coleção "Lendas e Narrativas", da mesma editora, em títulos como "Contos e Lendas do Antigo Egito", "Contos e Lendas da Idade Média", "A Eneida - Narrativas Escolhidas", "Narrativas Históricas da Antiga Roma", "Aventuras dos Cavaleiros da Távola Redonda" e "Narrativas da Bíblia - Antigo Testamento". Tem realizado igualmente trabalhos de publicidade, Ilustração de capas de livros e revistas.
Durante a realização do 11.º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, realizado entre outubro e novembro de 2000, foi-lhe dedicada uma exposição retrospetiva da sua obra de BD, na Galeria Municipal Artur Bual. O mesmo Festival, durante a sua 3.ª edição, atribuiu o Troféu "Zé Pacóvio e Grilinho" Para o Melhor Álbum Português de 1992 ao álbum A Moura Cassima.
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