""Aurea Mediania""

Tema transportado para a literatura portuguesa da lírica latina, especialmente Horácio, defensor de um ideal de vida calmo e sem grandes exigências, capaz de dar ao Homem a felicidade que não encontra no meio do ambiente perturbado da cidade, na glória das batalhas ou mesmo "no exercício decoroso das magistraturas".

O conceito da existência aurea mediocritas tem a sua raiz na teoria filosófica dos estoicos, que idealizam uma vida tranquila e de paz que caracteriza a ruralidade e cujos ócios ocupam com o estudo e o convívio intelectual com os amigos e em total interação com a Natureza. Este tema foi abordado pelos poetas renascentistas, fundamentalmente por António Ferreira, que, por exemplo, em algumas das suas odes, faz referência aos abusos do poder e à situação provisória em que se encontram os seus detentores, concluindo que só a vida levada com simplicidade é capaz de trazer a felicidade autêntica.
Também Sá de Miranda, na Carta a Mem de Sá, através do recurso à fabula do rato do campo e do rato da cidade, elogia a modéstia e chama a atenção para os perigos do luxo e da intemperança.
Este tema, cujo interesse vai esmorecer nos séculos seguintes, vai ganhar novo folgo com os poetas arcádicos.
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