Autoridade Nacional Palestiniana

Surgida após ter sido assinado, a 13 de setembro de 1993, o acordo histórico entre a OLP e Israel, através de Mahmad Ablas e do ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Shimon Perez, a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) constitui um poder independente que representa a formalização institucional da identidade nacional palestiniana. Instalou-se em Gaza e Jericó, depois de ter sido determinada a autonomia destes territórios em relação a Israel pelo Acordo de Cairo. Tem como objetivo zelar pelo processo de paz e pela transferência de poderes, em negociações constantes com os governantes israelitas. A governação das regiões da Faixa de Gaza e de Jericó não ficaram totalmente a cargo da ANP mas de uma governação conjunta com Israel - em 1998, por exemplo, a ANP construiu o Aeroporto Internacional de Gaza, mas a segurança ficou a cargo dos israelitas. Foi presidida por Yasser Arafat, de 1996, aquando das primeiras eleições, até 2004, ano da sua morte.
Na ANP existem duas organizações: a Autoridade Executiva e o Conselho Palestiniano. A primeira é controlada pelo presidente da ANP e inclui vários ministérios: Segurança, Justiça, Trabalho, Saúde, Educação, Desporto, Religião, Informação, Finanças, entre outros. A segunda, composta por um grupo numeroso de membros, tem a seu cargo a legislação.
As negociações entre a ANP e o governo israelita não têm sido pacíficas, levando a constantes confrontos entre as duas fações. Em 2000 a situação agravou-se perante os desentendimentos entre Arafat e Ehud Barak, primeiro-ministro israelita, na tentativa de negociações de paz levada a cabo em Camp David, nos EUA. Em consequência do agravamento dos confrontos violentos entre as duas partes, Israel invadiu Ramallah, o quartel-general da ANP, e tornou Arafat prisioneiro domiciliário. Devido a pressões externas, Arafat concordou em partilhar o poder com um primeiro-ministro, Mahmoud Abbas, que passaria a ter a seu cargo a política local, enquanto que o líder da ANP, apesar de ver os seus poderes diminuídos, ficaria com a política internacional e ainda com o poder de demitir o primeiro-ministro. Desde há algum tempo debilitado, Yasser Arafat acabaria por falecer a 11 de novembro de 2004, sucedendo-lhe então, na presidência da ANP, Mahmoud Abbas, após as eleições realizadas a 9 de janeiro de 2005.
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