Aztlán

A palavra Aztlán foi conhecida pela primeira vez pelos missionários espanhóis no México no século XVI. A tradição asteca mencionava que a origem do seu povo estava em Aztlán, uma pátria ao norte da atual Cidade do México, então chamada de Tenochtitlán. Nos seus registos, os missionários localizavam Aztlán tanto numa região entre o México e o Texas como num local muito perto da Cidade do México. Mais recentemente pensa-se que será a região que o México cedeu no Acordo de Guadalupe Hidalgo, em 1848. Este termo tornou-se famoso em 1969, quando foi elaborado o Plano Espiritual de Aztlán, numa conferência do movimento chicano, que defendia a unificação dos chicanos e a sua autodeterminação cultural. Este plano veio reabilitar a palavra chicano, antes usada em sentido pejorativo, e que agora tinha em si o orgulho das suas origens, acentuando o carácter próprio e a cultura única dos mexicanos e dos mexico-americanos nos EUA. Este movimento aglutinador da cultura chicana ficou a ser conhecido como chicanismo e chegou a ser mais abrangente e mais influente do que o movimento laboral de César Chávez que por sua vez também tinha a intenção de unificar os trabalhadores agrícolas mexicanos e américo-mexicanos. Pátria mítica, Aztlán tornou-se assim a bandeira da luta pelos direitos civis de plena cidadania para a diáspora chicana que unificou durante algum tempo esta minoria étnica nos EUA. No entanto, foi este pendor unificador que acabou por tornar o nome e o símbolo obsoletos e por levar à perda de credibilidade de um movimento que não tinha em conta as reais diferenças de classe social e económica e de orientação sexual, os critérios que passaram a marcar a organização de grupos de minorias étnicas.
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