Artigos de apoio

azulejo
cfA partir dos finais do século XV, princípios do XVI, quando a decoração ornamental muçulmana teve um papel importante na arte portuguesa, foi estimulado o desenvolvimento do azulejo. Eram feitas encomendas de azulejos às cerâmicas mouriscas de Sevilha e então dominava o gosto por superfícies completamente cobertas com azulejos, que permitiam uma melhor compreensão da organização geométrica das formas.

Na segunda metade do século XVI chegam a Portugal azulejos vindos das oficinas flamengas e espanholas de Talavera e Sevilha. Por influência destes centros, Portugal aprendeu o método de fabrico e pintura de faianças (de origem italiana), o uso de composições figuradas e a divulgação da última decoração renascentista que exerceu a sua influência durante o século XVII.

Do Oriente chegou o sentido do brilho, exuberância e fantasia de motivos ornamentais, especialmente através dos tecidos, e o uso das cores intensas. Da China veio o azul da porcelana, que na segunda metade do século XVII deu ao azulejo composições já sem carácter repetitivo, cheias de dinamismo, de formas em movimento.

Nos finais do século XVII, princípios do século XVIII, Portugal importou da Holanda grandes quantidades de azulejo, absorvendo a pureza e o refinamento dos materiais, assim como a ideia de especialização de pintores.

No reinado de D. João V (1706-1750), os azulejos sofrem a influência da talha, utilizando os mesmos motivos numa tendência para que as superfícies inteiras de parede fossem revestidas, criando assim um impacto espetacular característico do Barroco. Por seu lado, as gravuras estrangeiras que circulavam no país inspiraram as composições dos painéis figurativos.

Após o terramoto de 1755, a frágil situação económica e a necessidade de reconstruir Lisboa levou a uma conceção utilitária e prática do azulejo, usado como um complemento de fatores estéticos. Assim continuou até finais do século XVIII, o que conduziu a uma grande quebra ao nível da ornamentação.

Com o regresso do Brasil, após as invasões francesas, a corte portuguesa oitocentista trouxe consigo a ideia de usar o azulejo como material de revestimento das fachadas dos edifícios, dada a dualidade deste material. Por outro lado, a Revolução Industrial implicou uma certa industrialização do azulejo.

Contudo, o azulejo não se limita em si mesmo a receber influências. O azulejo impõe-se pela sua força como um elemento complementar de uma estrutura arquitetónica. Portugal, ao utilizar azulejos estrangeiros, deu-lhes sempre uma utilização completamente diferente daquela que era tradicional nos países de origem.

As formas variadas de combinar os padrões e frisos hispano-mouriscos foram alcançadas de forma a assegurar ritmos e movimentos inesperados. Os azulejos feitos na segunda metade do século XVI, segundo as técnicas de pintura italiana e flamenga, mostram principalmente uma preocupação com os elementos estéticos e pictóricos.

Até ao fim do século XVII, padrões multicolores foram usados como uma decoração a sugerir linhas diagonais, desempenhando um papel importante e dinâmico na arquitetura. Os ritmos de diagonal não se harmonizavam bem com as linhas predominantemente verticais e horizontais da arquitetura. Deste modo, o azulejo altera de certa forma o carácter dos espaços fechados.

É ainda neste período que as composições figuradas se desenvolvem e rapidamente cobrem as superfícies das paredes. É também nesta altura que se adota o azul feito do cobalto. A especificidade pictórica dos azulejos sugerem a dimensão de um espaço maior através da perspetiva. A ligeira variação na cor (provocada pelo fogo, segundo as técnicas artesanais), a cintilação, o ligeiro reflexo e o volume resultante da ondulação da superfície dos azulejos são elementos que faltam aos azulejos industriais. Estes adaptam-se melhor aos revestimentos de edifícios, onde o mais relevante é a luminosidade das cores.

O azulejo serviu também a Contrarreforma, que o utilizou para dar forma a um programa estético e religioso, influenciando o espírito dos crentes por meio de um espetáculo persuasivo.

Com a ocupação espanhola e durante as guerras da Restauração, o azulejo viu o seu uso restringido aos edifícios religiosos. No entanto, com o governo do Conde da Ericeira e a construção de sumptuosas arquiteturas, assistiu-se a uma fase de expansão e modernização do azulejo no século XVII.

Nesta altura surge uma renovação de padrões, técnicas e estilos. Durante o reinado de D. João V, o azulejo é largamente utilizado nas igrejas, palácios e casas pertencentes à burguesia, quer no interior, quer nos jardins. Esta grande utilização do azulejo contribuiu também para uma diminuição da qualidade e criatividade dos pintores.

Com a implantação do regime liberal em 1834, o azulejo foi um acessório importante para o revestimento dos frontispícios e entradas de edifícios e, igualmente, de algumas lojas comerciais (padarias, tabernas).

Na primeira metade do século XX, o azulejo caracterizou-se, por um lado, pela exuberância e grande intensidade de cor dos seus frisos, composições e painéis de Arte Nova. Por outro lado, havia uma produção de azulejos de tendência nacionalista.

A implantação do Estado Novo e a definição do estilo de arquitetura de Salazar, por volta de 1946, levou à criação de um estilo nacionalista que rejeitou o azulejo. Nessa altura, ele é substituído pelo mármore. O azulejo voltaria no entanto a conquistar a sua dignidade pela mão dos artistas plásticos ligados à oposição a Salazar.
Como referenciar: azulejo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2017. [consult. 2017-11-23 03:45:33]. Disponível na Internet: