B. Traven

Escritor e figura misteriosa, sobre cuja vida houve poucas certezas definitivas. Os investigadores e estudiosos da sua vida e obra parecem no entanto ter convencionado que B. Traven teria nascido a 23 de fevereiro de 1882, em Schwiebus, na Pomerânia. Por ser filho ilegítimo de Hormina Wienecke e de Adolf Rudolf Feige, um oleiro, teria sido batizado com o nome Albert Otto Maximilian Wienecke. Com o casamento entre os seus pais, B. Traven teria mudado o nome para Otto Feige.
Em 1896 teria começado a trabalhar como aprendiz de serralheiro e, em 1902, alistado no exército, mantendo-se soldado até 1907, altura em que se pensa ter sido marinheiro. Há também a possibilidade de ter mudado mais uma vez de nome, desta vez para Ret Marut, e de ter ido trabalhar como encenador e ator no Teatro Municipal de Essen, ocupando estas funções até 1915, altura em que se teria mudado para Munique para tentar a sua sorte como escritor.
Julga-se que publicou em 1916, a sua primeira obra An das Fräulein von S. utilizando o pseudónimo 'Richard Maurhut', e que terá contribuído de forma significativa para uma revista de inspiração pacifista e anarquista. E quando, a 1 de maio de 1919, tropas governamentais bávaras conquistam Munique aos comunistas, instaurando a República de Weimar, o seu nome aparece envolvido como um dos prisioneiros condenados à morte. Conseguindo escapar, Marut apareceu em Inglaterra em 1923, não sem se ter candidatado a uma autorização de residência nos Estados Unidos da América, que lhe foi recusada. O nome Traven surge então nos registos de imigração do México na década de 30. Tendo-se estabelecido em Tampico, publicou a partir de 1925 uma série de contos escritos na língua alemã, aparecidos em publicações periódicas. O seu primeiro livro foi publicado em 1926, com o título Das Totenschiff, romance em que Traven contava a história de um marinheiro que, desembarcando em Antuérpia, se vê em trabalhos por não possuir qualquer documento de identificação. A obra constituiu um sucesso imediato, e mesmo o famoso físico Albert Einstein chegou a afirmar ser a sua escolha como leitura numa ilha deserta.
Seguiu-se Der Schatz der Sierra Madre (1927, O Tesouro de Sierra Madre), obra em que o autor procede a um estudo aprofundado da ambição humana e do absurdo. O romance foi adaptado para o cinema pelo realizador John Huston, e contou com a presença de Humphrey Bogart no elenco principal.
As suas obras foram proibidas na Alemanha Nacional-Socialista na década de 30, altura em que começaram no entanto a ser traduzidas para a língua inglesa. Publicou em 1936 um dos seus melhores livros, senão o melhor, com o título Die Rebellion der Gehenkten, romance que, como a maior parte da sua obra, acontecia no México e contrapunha a pobreza absoluta dos índios à ganância desmesurada dos descendentes dos colonizadores europeus.
Nos meados da década de 50 foi-lhe emitido um passaporte mexicano, com o nome Traven Torsvan, que atribuía naturalidade norte-americana ao portador, datando o seu nascimento a 3 de maio de 1890, em Chicago.
B. Traven faleceu a 26 de março de 1969, na Cidade do México.
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