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Bana
Cantor cabo-verdiano, Adriano Gonçalves nasceu a 5 de março de 1932, no Mindelo, em Cabo Verde. Oriundo de uma família pobre, ele tinha os mesmos sonhos de muitos jovens africanos, guardando a esperança de um dia ter a oportunidade de emigrar e conseguir uma vida mais afortunada num país estrangeiro. Dono de um timbre vocal raro e forte, desde tenra idade despertou a curiosidade das comunidades locais do seu país para o seu canto, despertando para um percurso artístico que deu os primeiros passos com algumas atuações em pequenos circuitos de música de Cabo Verde, ao mesmo tempo que trabalha na estiva de Porto Grande. No início da década de 60, já com nome firmado no seu país, é convidado para uma atuação em Dakar, no Senegal, onde passa uma temporada, dedicando-se ao desenvolvimento das suas capacidades vocais e à descoberta de outros estilos musicais. A sua fama foi galgando sucessivas barreiras, levando-o a interpretar as suas mornas e coladeras, em palcos importantes do Senegal e na rádio nacional do país. Em 1966, junta-se a outros emigrantes cabo-verdianos, como Frank Cavaquinho, Luís Morais (clarinete), Morgadinho (trompete), Jão de Lomba e Tói de Bibia (guitarra) para fundar o célebre agrupamento Voz de Cabo Verde. Nessa altura, os músicos dividiam a atividade artística com o trabalho numa fábrica de café. Depois do primeiro (e modesto) EP do coletivo, aos poucos, na companhia do grupo ou a sós, Bana foi conseguindo atuações noutros locais, particularmente em Portugal, nos Estados Unidos da América e na Holanda. Com o florescimento do seu percurso como cantor, Bana monta, em 1974, um restaurante-dancing na capital portuguesa, o Monte Cara, espaço que se tornaria uma rampa de lançamento para jovens valores da música cabo-verdiana. Nessa época, ele era já um valor consagrado das mornas, património musical de Cabo Verde que defende com unhas e dentes. As suas sucessivas gravações em disco acabam por tornar-se documentos históricos e, ao fazerem dele um intérprete especial da música africana lusófona, conferem-lhe um estatuto que, entre outras coisas, chegou a render-lhe breves aparições na Sétima Arte, em filmes europeus. Além de Lisboa, e do seu Mindelo natal, a Holanda torna-se uma pátria adotiva e um local revisitado muitas vezes, para gravar ou para partilhar a sua música com os públicos. Acumulando diversas distinções honrosas no seu país, com algumas condecorações presidenciais à mistura, viria a ser considerado o rei da música cabo-verdiana, elevado ao mesmo altar que consagrou os conterrâneos Cesária Évora e Tito Paris, ambos apadrinhados, em início de carreira, por Bana.

Discografia
1965, Nha Terra
1965, Pensamento e Segredo
1967, Bana à Paris
1969, Rotcha-Nu
1971, Merecimento de Mãe
1974, Contratempo
1976, Cidália
1977, Miss Unidos
1979, Bana - A Voz de Ouro - Mornas
1980, Bana - A Voz de Ouro - Coladeras
1981, Morabeza
1983, Gardénia
1986, Merecimento
1990, Bana - A Voz de Ouro
1992, Solidão
1994, Bana - O Encanto de Cabo Verde
1998, Gira Sol
1999, Bana ao vivo no Coliseu
2000, Fado
2003, Dê Dês
2007 Bana e Amigos (CD e DVD)

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