Barbey d'Aurevilly

Escritor francês, Jules Amédée Barbey d'Aurevilly nasceu a 2 de novembro de 1808, em Cotentin, nas cercanias de Saint-Saveur-le-Vicomte, na região da Normandia. Oriundo de uma família aristocrática, cedo se deixou fascinar pelo imaginário da tradição oral normanda. Em 1821 partiu para a cidade de Paris para rematar os seus estudos secundários no Colégio Stanilas, onde conheceu o poeta Maurica de Guérin. Matriculou-se em seguida no curso de Direito da Universidade de Caen.
Dedicando o seu tempo livre à escrita, estreou-se como romancista em 1830, ao publicar Le Cachet d'Onyx, obra que refletia um desgosto amoroso sofrido pelo autor. Ainda estudante, fundou em 1832, e em parceria com um primo e um bibliotecário, uma publicação periódica que levava o nome de Revue de Caen, e na qual foi aparecendo o seu romance Léa (1832).
Oscilando entre as atitudes de dândi aristocrata e de católico tradicionalista e intransigente, manifesta na sua obra um fascínio pelo bizarro e o satânico. Ao receber uma choruda herança por morte de um tio, o Cavaleiro de Montressel, e após ter conseguido o seu diploma em 1833, Barbey d'Aurevilly regressou a Paris com o propósito de empreender uma carreira literária a tempo inteiro. Depois do aparecimento de Des Causes qui Suspendent le Cours de la Préscription (1833), o autor deixou-se enliar nos meandros da vida noturna parisiense. Dissipando a sua fortuna pessoal num período de cerca de três anos, não só entrou em rutura com os pais, como perdeu os meios necessários ao pagamento de despesas de tipografia. No ano de 1835, a sua situação tornada bastante precária obrigou-o a ter que recorrer a expedientes diversos, como o de redator de uma revista de inspiração católica, e a publicar, no menos lucrativo formato de folhetim, capítulos dos seus romances.
Resolveu então fazer uso do seu estatuto nobiliárquico, o que lhe permitiu imiscuir-se nos salões aristocráticos da capital. No ano de 1851 conheceu a Baronesa de Bouglon, de quem se amigou e que, ao encomendar-lhe um romance que só seria publicado cerca de uma década depois, Le Chevalier des Touches (1864, O Cavaleiro Des Touches), lhe deu o alento suficiente para que pudesse dar ao prelo Les Prophètes du Passé (1851), Une Vieille Maîtresse (1851) e L'Ensorcelée (1852, A Embruxada [A Enfeitiçada]). Em 1865 causou grande polémica entre os leitores franceses ao publicar Un Prêtre Marié, obra que teria inspirado O Crime do Padre Amaro do nosso Eça de Queirós.
A notícia do falecimento do pai de Barbey, ocorrido em 1868, fez recair sobre si as pressões dos credores, o que o obrigou à venda das propriedades familiares na Normandia. Também em 1874 teve que enfrentar dificuldades quando, em consequência da publicação de les Diaboliques (As Diabólicas), foi a julgamento para responder à acusação de atentado contra a moral pública. Apesar de ilibado, foi interdito de proceder na altura à reedição da obra, o que só viria a acontecer mais tarde, em 1882.
Em 1879 conheceu Louise Read, que se tornou sua companheira e secretária. O seu auxílio foi precioso, sobretudo no que diz respeito à edição da sua extensa obra de vinte e seis volumes Les Œuvres et Les Hommes (1860/1909).
Idolatrado por jovens escritores como Léon Bloy e François Coppée, Barbey d'Aurevilly faleceu em Paris a 23 de abril de 1889, vítima de uma hemorragia.
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