Basho

Poeta japonês, Basho, pseudónimo de Matsuo Munefusa, é considerado um mestre da forma poética haiku. Nasceu em 1644, numa família de samurais em Ueno, na província de Iga, a sudeste de Kyoto, e faleceu em 1694, durante uma estadia em Osaka. Durante algum tempo serviu Todo Yoshitada que o teria iniciado na arte da poesia. O primeiro poema conhecido de Basho data de 1662. Em 1664, alguns dos seus poemas foram publicados numa antologia de poesia em Kyoto. Nesta época adotou o nome samurai Munefusa. Contudo, dois anos depois, na sequência da morte de Yoshitada, Basho deixou a terra natal e viveu muito provavelmente em Kyoto durante alguns anos. Procurou aprofundar a sua instrução junto de professores de filosofia, caligrafia e poesia chinesa clássica. Entretanto o seu trabalho aparecia em várias antologias e começava a ser conhecido no mundo literário de Edo (atual Tóquio). Em 1672 mudou-se para a capital. Aparentemente só se decidiu a enveredar profissionalmente pela carreira das letras alguns anos depois. O pseudónimo Basho surgiu do nome da bananeira (basho) que cobria com a sua sombra a pequena casa construída pelos alunos numa zona rural de Edo. Apesar da fama que entretanto alcançara, dos muitos amigos, discípulos e patronos, em alguns dos seus poemas transparecia a solidão e melancolia que o conduziria à procura de uma via espiritual através da prática da meditação Zen sob a orientação de Butcho, um mestre Zen.
Basho empreendeu várias viagens que o inspiraram profundamente. Escreveu vários diários de viagem onde combinou o relato detalhado das suas perceções com poesia e teoria de arte. No final do primeiro diário, Nozarashi Kiko, deixa já transparecer uma maior serenidade. Em 1689, Basho iniciou a famosa viagem de Oku-no-hosomichi (na edição inglesa, "The Narrow Road to the Far North"). A prosa poética contida neste relato é considerada sem paralelo na literatura mundial. Esta obra evidencia o conceito de sabi, de identificação do homem com a natureza. Durante esta viagem começou a pensar a poesia em termos mais filosóficos, preocupando-se com a relação entre temporal e eterno. A partir do outono de 1689, e durante dois anos, fez curtas viagens na região de Kyoto. Nessa época trabalhou numa antologia, Sarumino ("o Impermeável do Macaco") em que expressava os princípios estéticos que adotara.
Basho é reverenciado sobretudo por ter dado ao haiku uma dimensão espiritual, impregnada do espírito Zen, aproximando este género de kado (a via da poesia) enquanto caminho para a perfeição. Sob a sua influência o haiku, até aí considerado quase exclusivamente como um passatempo social, tornou-se num dos géneros mais apreciados e cultivados da poesia japonesa.
Como referenciar: Basho in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-10 11:06:31]. Disponível na Internet: