Batalha de Iwo Jima

Entre 16 e 19 de fevereiro de 1945 e 26 de março desse ano, a ilha vulcânica de Iwo Jima (atual Iwo To) - em japonês "ilha do Enxofre", - a cerca de 1200 km a sul de Tóquio, a meio caminho entre a capital imperial japonesa e a ilha recém conquistada pelos EUA de Saipan, foi palco de uma das mais sangrentas batalhas entre americanos e japoneses. Com apenas 21 km2 de terra inóspita, a sua posição estratégica como base aérea era assinalável para qualquer força militar que quisesse atingir o Japão, então uma das potências do Eixo em beligerância no Oriente e Pacífico, envolvida em guerra com os EUA desde o ataque a Pearl Harbour a 7 de dezembro de 1941.
A batalha de Iwo Jima fez parte da campanha militar que visava a posse pelos Americanos dos arquipélagos de Volcano e Ryukyu. Iwo Jima é, com efeito, uma das ilhas meridionais do grupo de Volcano (ou Bonin), no arquipélago de Ogasawara, a leste dos arquipélagos de Daito e Okinawa, a um passo do Japão.
110 000 soldados norte-americanos, essencialmente Marines (ou 100 000, 70 000, segundo outras versões), liderados pelo general Holland Smith lutaram pela ocupação desta ilha, onde estavam cerca de 22 000 soldados do Império do Sol Nascente, comandados pelo tenente-general Tadamichi Kuribayashi, um dos mais jovens e geniais altos comandos nipónicos, conhecedor profundo dos EUA e das suas capacidades militares. Pouco mais de um mês depois do início da sangrenta batalha - após a morte de mais de 20 700 soldados japoneses, entre eles Kuribayashi, e mais de 200 capturados -, a bandeira do Sol Nascente era substituída pela americana. Os americanos ganharam, mas deixaram o sangue de mais de 8 000 marines mortos, ao todo, quase 28 000 baixas, ou seja, mais de um quinto das suas forças.
Iwo Jima foi, porém, uma das batalhas emblemáticas dos Marines dos EUA. E, ao contrário de outras batalhas no Pacífico, como Okinawa, não houve vítimas civis nesta batalha, já que a população autóctone da ilha, cerca de 1000 habitantes, fora evacuada antes do conflito rebentar, por decisão de Kuribayashi.
A posse de Iwo Jima significava para os EUA a posse dos aeródromos militares japoneses de apoio à sua armada, logo a sua neutralização implicaria a desativação dos vasos de guerra nipónicos. Permitiria o alcance aéreo do Japão e da China Meridional, além do mar das Filipinas. Sem a sua posse, todos os aviões bombardeiros americanos B-29 ou P-51 ficavam sem autonomia para chegarem ao Japão, efetuarem as suas operações e poderem regressar a Saipan ou Guam, além de que, não tendo caças de apoio, as suas operações seriam facilmente assinaladas e inibidas pelos Japoneses. A posse de Iwo Jima significava esse apoio e capacidade de manobra, como se fosse um porta-aviões fixo no Pacífico Ocidental.
Os 4,5 km de comprimento e largura máxima de 900 metros tornavam a ilha exígua operacionalmente mas, mesmo assim, os Japoneses souberam defendê-la através da criação de um sistema de galerias, túneis e trincheiras, tudo intercomunicando entre si e com capacidade de antecipação dos ataques dos Marines nas praias, que foram evitadas pelos defensores, o que causou espanto inicial às tropas de Holland Smith.
O general Kuribayashi, apesar de vir da aristocracia tradicional japonesa, opôs-se desde sempre ao combate a "descoberto", banzai, como é conhecido, que em nada resultaria perante os bem treinados Marines. A fortificação e escavação de galerias e túneis foi a opção estratégica do genial comandante nipónico, obrigando os americanos a vir ao encontro dos japoneses em locais difíceis e de fácil emboscada, além de que as sucessivas vagas de ataque se deparariam com os inúmeros mortos em semelhantes investidas nos buracos dos defensores, causando impactos psicológicos negativos no invasor.
Kuribayashi, depois da evacuação dos civis da ilha, reforçou a guarnição japonesa, para defesa do valor aéreo da ilha, pois à data a marinha de guerra japonesa estava inoperacional desde a batalha de Leyte, Filipinas, em outubro de 1944. O equipamento nipónico pouco mais ia além das espingardas e metralhadoras de "ninho", com pouca artilharia e sem apoio de retaguarda, nem aéreo nem logístico, pois água e mantimentos foram sempre insuficientes, para mais numa ilha árida, vulcânica e longe do Japão.
Contudo, perderam o território para os Americanos, que possuíam uma esquadra de 500 navios (com 12 porta-aviões e o couraçados), além de uma bolsa de 250 000 militares, muitos deles com um curriculum notável desde Guadalcanal.
Os desembarques americanos não sofreram resistência por parte dos Japoneses, mas logo se verificaram grandes congestionamentos nas praias, com o inimigo à espera, nos montes e galerias, sempre em contacto entre si. Depois deu-se o assalto ao monte Suribachi, conquistado em 23 de fevereiro. Bulldozers e engenheiros militares iam abrindo caminho aos Marines na conquista de terreno, com os Japoneses a recuar, sem reforços e mantimentos. Porém, na noite de 25 de março de 1945, Kuribayashi, à frente de cerca de 300 sobreviventes japoneses, lançou o único ataque banzai, matando cerca de 100 marines e ferindo mais de 200. O corpo de Kuribayashi, misteriosamente, nunca apareceu. O Japão estava então ao alcance dos Americanos.
Em 2006, Clint Eastwood realizou dois filmes sobre a batalha: um com a visão americana - A Conquista da Honra - e outro com a japonesa - Cartas de Iwo Jima, na tentativa de dar um cunho mais realista e histórico ao conflito bélico.
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