Beatles

Os The Beatles, grupo musical inglês, foram o mais bem-sucedido projeto musical da era rock, arrastando milhões de fãs por todo o mundo e marcando uma nova etapa na música pop. Desde o seu surgimento internacional, em 1964, e durante os seis anos seguintes, o mundo não ouviu falar de outra coisa que não o quarteto inglês, formado por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr. Todavia, a sua supremacia como ícones intemporais do rock mantém-se ativa até ao presente.

Antes das gravações, os The Beatles tocaram, durante cerca de cinco anos, na zona de Liverpool. John Lennon fundou a banda Quarrymen, à qual se juntou McCartney, em 1957. Um pouco mais tarde, um amigo de Paul McCartney, George Harrison, juntou-se também ao grupo. O alinhamento deste projeto sofreu diversas alterações ficando muitas vezes reduzido a um trio de guitarristas (Lennon, McCartney, Harrison), de resto os elementos mais compatíveis no grupo.
Em 1960, mudaram o nome para Silver Beatles, desistindo rapidamente do Silver e assumindo a designação The Beatles. Stuart Sutcliffe, amigo de Lennon, tornou-se o baixista da banda e Pete Best, ainda nesse ano, foi o primeiro baterista dos Beatles. Com esse alinhamento partiram para Hamburgo, a sua cidade de batismo, onde tocaram durante horas sucessivas, sendo forçados a aumentar o repertório e a melhorar a sua qualidade de atuação. Quando regressaram a Liverpool, depressa se tornaram a banda mais excitante do circuito local.

O ano de 1961 serviu para consolidarem esse estatuto, com atuações permanentes em Merseyside, especialmente no mítico Cavern Club. Nesse ano, voltaram a Hamburgo e Sutcliffe deixou o grupo (morreria no ano seguinte). McCartney tornou-se o baixista, Harrison o principal guitarrista e Lennon encarregava-se dos ritmos. Todos cantavam. Ainda nesse ano, fizeram as primeiras gravações como banda de apoio a um guitarrista inglês, radicado em Hamburgo, Tony Sheridan.

A popularidade local crescente da banda despertou a atenção de Brian Epstein, gerente de uma loja de discos local, que acabou por se tornar o manager dos Beatles. Graças aos seus contactos, Epstein conseguiu uma audição para a Decca Records, a 1 de janeiro de 1962. Após diversas semanas de avaliação, a Decca não aceitou o trabalho da banda, assim como muitas outras editoras inglesas. A perseverança de Epstein foi premiada em meados desse ano, quando os Beatles assinaram pela Parlophone, uma subsidiária da EMI, através do produtor George Martin.

Em agosto de 1962, Pete Best é excluído da banda, uma decisão controversa e sem explicação objetiva. Foi então que Richard Starkey (Ringo Starr), o baterista dos Rory Storm & The Hurricanes, uma banda local de Merseyside, se juntou aos Beatles.

O primeiro single "Love Me Do" é editado em setembro de 1962, conseguindo resultados modestos. O fenómeno dos Beatles registou um segundo arranque, definitivo, em 1963, com a gravação de "Please Please Me", o primeiro registo número um nos tops britânicos. O terceiro single, "From Me To You", e o primeiro álbum Please Please Me, seguiram-lhe as pisadas e ascenderam rapidamente aos topos das listas de vendas. O LP, apesar de ter sido gravado em apenas um dia, manteve-se na liderança do top durante 30 semanas.

O segundo álbum, editado ainda em 1963, With The Beatles, mostrou que a capacidade de composição da banda estava no auge. Temas como "She Loves You" e "I Want To Hold Your Hand" venderam mais de um milhão de cópias cada no Reino Unido, mostrando ao mundo um fenómeno jamais visto. O lançamento da Beatlemania nos EUA acontece com a sua aparição no The Ed Sullivan Show em fevereiro de 1964 e com o lançamento de "I Want To Hold Your Hand", líder das tabelas americanas durante semanas. Em abril de 1964, os Beatles ocupavam as cinco primeiras posições do top de singles britânico e as duas primeiras do top de LP.

O seguinte LP Hard Day's Night (1964), banda sonora de um filme homónimo com os próprios elementos da banda, deu à luz mais uma série de sucessos, contrariando os críticos que prognosticavam um desaparecimento rápido dos Fab Four, os quatro fabulosos, como eram chamados na época. Reunia canções como "And I Love Her", "If I Fell", "Can't Buy Me Love" e "Things We Said Today". O caminho para o sucesso estava definitivamente lançado.

Outros álbuns, um segundo filme ("Help!") e vários sucessos marcaram os anos seguintes dos Beatles. "I Feel Fine", "Ticket To Ride", "Help!", "Yesterday", "I'm a Loser", "You've Got To Hide Your Love Away" são apenas alguns exemplos de faixas que se tornaram intemporais. Por esta altura, já os Beatles tinham estado envolvidos em diversas tournées.

Em 1966, editam Revolver e mais uma mão-cheia de temas de sucesso nasceu. "Yellow Submarine", "Eleanor Rigby", "Tomorrow Never Knows" exemplificam a criatividade incessante da banda. A tournée desse ano ficou marcada pela polémica, o grupo é atacado nas Filipinas, depois do desdém da rainha local, recordando as afirmações de Lennon que colocavam os Beatles acima de Cristo.

O último concerto da tour americana marca o fim das atuações ao vivo (29 de agosto de 1966) e o grupo decide-se pelo retiro e pela concentração no trabalho de estúdio. Surgiram os primeiros rumores de separação do grupo, anulados pela edição do single "Penny Lane", em fevereiro de 1967. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, saído no mesmo ano, foi considerado uma viragem da pop dos Beatles para sonoridades mais inventivas, uma evolução da pop para a arte, bem visível no hit "All You Need Is Love". Em agosto de 1967, o amigo Brian Epstein morre de overdose, deixando a banda sem manager.

Seguiu-se outro projeto cinematográfico, Magical Mistery Tour, realizado pelos elementos do grupo e acompanhado por um disco homónimo. Este filme tornou-se o pretexto principal para as críticas dos media sobre a aparente desorientação da banda.

Em 1968, a banda recolhe-se em retiro espiritual na Índia, o que agravaria a pressão dos críticos, uma vez que os quatro elementos da banda abandonariam a iniciativa antes do seu termo. Regressam ao estúdio e gravam The White Album (1968) e o single "Hey Jude" (não editado em LP). Contudo, as composições individuais eram mais visíveis neste álbum, cavando uma aparente clivagem entre os elementos da banda, que pareciam mais interessados na expressão individual do que no coletivo. Mais grave do que isso, e um facto desconhecido dos media na época, Ringo deixou a banda, por uns tempos, durante as gravações deste LP. Adicionalmente, a editora criada pelo grupo, a Apple Records, estava a ser um fracasso.

No ano seguinte, McCartney pressionava o resto do grupo para voltarem aos palcos, o que não estava nos planos dos restantes elementos. A discussão levou Harrison a deixar a banda por uns dias. Regressou e concordaram em fazer uma gravação ao vivo, no topo do edifício-sede da Apple, mas a atuação foi interrompida pela Polícia. A 30 de janeiro de 1969, esta seria a última atuação dos Beatles. Das sessões de gravação, resultou um disco que não saiu, que se chamaria Get Back. Os Beatles escolheram as melhores faixas e optaram por lançá-las no formato de single. Esse registo continha os temas "Get Back" e "Don't Let Me Down".

A tensão crescia no seio do grupo, a propósito da definição de um novo manager, pelo que o LP Abbey Road se revelou uma surpresa, uma espécie de princípio unificador de uma banda prestes a morrer; os próprios músicos gravaram diversas partes do álbum separadamente, em sessões individuais. Curiosamente, os temas mais populares do disco, "Something" e "Here Comes The Sun", foram compostos por Harrison. Entretanto, Lennon tinha começado as suas próprias gravações e atuado com os amigos da Plastic Ono Band.

As gravações de 1969 foram sendo retidas e seriam editadas no ano seguinte, sob o título Let It Be, o último editado da banda, embora todo o material tivesse sido gravado antes da edição de Abbey Road. Nessa altura, os Beatles já não existiam e cada um dos membros seguiu o seu caminho. O mundo só tomou conhecimento da fricção definitiva no seio do grupo quando, a 10 de abril de 1970, McCartney anunciou que deixaria os Beatles, na press release de lançamento do seu primeiro álbum a solo. Era o fim anunciado.

Ao longo dos anos 70, surgiram diversos rumores de uma pouco provável reunião, brutalmente negados pelo assassinato de John Lennon, em Nova Iorque, em 1980.

Os anos seguintes assistiram a uma batalha legal entre os elementos da banda sobre os direitos das gravações na Apple. Estes diferendos só foram sanados nos anos 90, o que permitiu a divulgação do material nunca editado. De entre estas gravações destaca-se o duplo álbum de sessões na BBC, Live At The BBC (1994). As compilações da coleção Anthology são também uma referência sobre o legado do mítico quarteto de Liverpool, revelando dois temas novos: "Free As A Bird" e "Real Love".

O Mundo assistiu, nos anos 90, à mais improvável das reuniões impossíveis, os Beatles estavam de volta, mas sem o fulgor de outros tempos, atestado pelo desaparecimento de George Harrison, em 2001. Ainda assim, o sucesso comercial destas iniciativas levou à edição, em 2003, do álbum Let It Be... Naked, uma reedição do álbum de 1970, contendo o puro som de estúdio original.
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