Beja


Aspetos geográficos
Cidade do Baixo Alentejo, capital de distrito e sede de concelho, Beja constitui o centro de uma importante área agrícola.
O concelho de Beja abrange uma área de 1146,5 km2, situa-se no Alentejo (NUT II), no Baixo Alentejo (NUT III), e está dividido em 18 freguesias: Albernoa, Baleizão, Beja (Salvador), Beja (Santa Maria da Feira), Beja (São João Batista), Beja (Santiago Maior), Beringel, Cabeça Gorda, Mombeja, Nossa Senhora das Neves, Quintos, Salvada, Santa Clara de Louredo, Santa Vitória, S. Matias, S. Brissos, Trigaches e Trindade. Em 2005, o concelho apresentava 34 977 habitantes.
O natural ou habitante de Beja denomina-se bejense ou pacense.
O distrito de Beja ocupa a maior parte da província tradicional do Baixo Alentejo. Está limitado a norte pelo distrito de Évora, a leste pela Espanha, a sul pelo distrito de Faro e a oeste pelo oceano Atlântico e pelo distrito de Setúbal. Abrange uma área de 10 223 Km2 e compreende 14 concelhos: Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Barrancos, Beja, Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Odemira (atualmente integrado no Alentejo Litoral), Ourique, Serpa e Vidigueira.
O relevo do distrito de Beja caracteriza-se por ser pouco acidentado e estar integrado na extensa planície alentejana ou peneplanície, interrompida por serras de fraca altitude, como a serra de Mendro (412 m), na parte setentrional, e os contrafortes das serras algarvias, no Sul.
Os principais rios que drenam o distrito são o Guadiana, o Sado e o Mira.

História e Monumentos
A fundação da cidade é atribuída aos Celtas, 400 anos a. C. Pensa-se que terá sido controlada pelos Cartagineses antes do domínio romano. Mas foi na época romana que começou a desempenhar um papel mais importante na região, recebendo, nessa altura, o nome de "Pax Julia", em honra da pacificação da terra da Lusitânia. Beja foi tomada pelos Mouros em 715, que a chamaram de Baju. Após esta data, surge uma época atribulada de conquistas e reconquistas da cidade, até que no ano 1162 é reconquistada definitivamente, por Gonçalo Mendes da Maia, o "Lidador", no reinado de D. Afonso Henriques. Recebeu foral em 1524 e foi elevada a cidade em 1517. Foi repovoada por D. Afonso III, que reedificou a muralha romana, a qual tinha quarenta torres. Nessa muralha, o rei mandou abrir sete portas, que foram chamadas: Évora, Avis, Moura, Mértola, Aljustrel, Nossa Senhora dos Prazeres e Nova ou de S. Sezinando; destas portas saíam as estradas que conduziam às povoações correspondentes aos seus nomes.
Dos monumentos bejenses salientam-se, para além do castelo, a Igreja de Santo Amaro (século V), da época dos Visigodos; a Igreja da Misericórdia, de estilo renascentista, mandada construir, em 1550, por D. Luís, duque de Beja; a Igreja de Santa Maria, a mais antiga, e tudo indica ter sido uma mesquita moura; a Igreja de S. Salvador (século XIII); o Convento e a Igreja da Conceição, mandados construir por D. Fernando, pai de D. Manuel I, em 1459, com alguns traçados góticos; o Convento de São Francisco, que foi fundado em 1268 e adaptado a quartel em 1850, o que lhe modificou o traçado inicial; a Ermida de Santo André, construída no reinado de D. Sancho I, para comemoração da tomada da cidade aos Mouros; e o hospital e os paços do concelho, anexo aos quais se encontra o Museu Arqueológico. A sala de sessões dos paços do concelho é decorada com retratos de Júlio César, D. Sancho I, D. Afonso III, D. Manuel I, D. Maria II e outras personalidades. Estão igualmente representados os brasões de todos os concelhos do distrito.

Tradições, Lendas e Curiosidades
Beja tem como feriado municipal a quinta-feira de Ascensão. Cada freguesia de Beja tem o orago correspondente à sua designação.
No concelho de Beja, realizam-se anualmente as seguintes feiras: a feira anual Ovibeja, de 16 a 26 de maio, dedicada à agropecuária e à maquinaria agrícola; as festas da cidade, no mês de maio; a Feira de agosto, do dia 9 ao dia 16; a Turisarte, de 25 a 27 de outubro (feira dedicada ao turismo e ao artesanato); e, por fim, a Alentejo Alimentar, de 5 a 8 de dezembro (feira gastronómica, que coincide com a festa a Nossa Senhora da Conceição).
Nos restantes concelhos, celebram-se a Festa de Santo António, a 13 de junho; a Feira de junho, no segundo domingo do mês, e a Festa de Santo António, a 12 de junho, em Aljustrel; a Feira de Santo Amaro, a 15 de janeiro, as Comemorações do Foral, a 17 de abril, e a Feira dos Passos, no quarto domingo da Quaresma, em Almodôvar; a Festa a N. Sra. da Assunção, no segundo domingo de setembro, e a Feira dos Santos, a 1 e 2 de novembro, em Alvito; as Festas de agosto, de 23 a 31, e a Festa a Nossa Senhora da Conceição, de 8 a 24 de dezembro, em Barrancos; a Festa a Nossa Senhora da Conceição, a 8 de dezembro, e a Feira de Castro, no terceiro fim de semana de outubro, em Castro Verde; a Festa a Nossa Senhora da Conceição da Rocha, no último fim de semana de agosto, a feira anual, no primeiro fim de semana de setembro, e as Festas da Páscoa, que incluem as procissões das velas e do Senhor dos Passos, em Cuba; a Feira Anual, no terceiro domingo de setembro, e a Festa a Nossa Senhora da Assunção, a 8 de dezembro, em Ferreira do Alentejo; a Festa de S. João, a 24 de junho, e a Feira de S. Mateus, no último fim de semana de setembro, em Mértola; a Festa a Nossa Senhora do Carmo, no terceiro fim de semana de setembro, a Feira de setembro, no segundo fim de semana, e a Olivomoura, em Moura; a Feira Nova de outubro, de 1 a 5, em Odemira; a Festa a Santa Maria, a 15 de agosto, e a Romaria da Senhora da Cola, no primeiro fim de semana de setembro, em Ourique; a Festa de N. Sra. de Guadalupe, da sexta-feira da Paixão até à terça-feira seguinte, em Serpa; e, a Festa a N. Sra. das Relíquias, na quinta-feira de Ascensão, e a Feira de S. Tiago, no segundo fim de semana de julho, em Vidigueira.
Os cantares alentejanos típicos deste distrito são melodias a duas vozes, sem acompanhamento de instrumentos e cantadas unicamente por homens. Na vila de Vidigueira, em dezembro, em qualquer casa particular é comum ouvir-se "o canto do menino", que é um canto religioso diferente do canto alentejano, uma vez que tem carácter familiar.
Tradicionalmente, o traje do alentejano é constituído por fato de lã escura, casaco curto, calça, peitilho branco sem gravata, cinta de lã, lenço ao pescoço e chapéu de feltro de aba larga. Às vezes usa uma samarra. Por sua vez, o traje da mulher alentejana é constituído por saias rodadas de tecido de algodão claro, lenços coloridos na cabeça (amarrados sob o queixo), chapéu de feltro e grevas.
No concelho de Barrancos, fala-se tradicionalmente um dialeto próprio - o barranquenho - com grande influência do castelhano. Nesta sede de concelho, nas festas de agosto, existe a tradição da tourada com touros de morte (influência espanhola). É de relevar também a tradição da fogueira de Natal, nos dias da Festa da N. Sra. da Conceição, que se realiza de 8 a 24 de dezembro. Do primeiro ao último dia, faz-se a apanha da lenha e no último dia, à noite, chega-se fogo à lenha para "aquecer o Menino Jesus", em frente das portas abertas da igreja, ficando acesa durante a Missa do Galo e pela noite dentro.
No escudo da cidade de Beja existe a cabeça de um touro porque, segundo a lenda, nos tempos iniciais de Beja, existia por aqueles lados uma serpente-monstro que a todos aterrorizava e matava. Um dia, alguém se lembrou de envenenar um touro e pô-lo perto da serpente para que esta o comesse acabando por morrer envenenada.
Dizem que a cidade de Moura deve o nome a uma alcaidessa muçulmana chamada Salúquia. Esta estava prometida a Braffma, do castelo de Azmi. Um dia, Braffma, quando se dirigia para ver a sua noiva, foi atacado por um grupo de soldados cristãos, que o mataram. Os cristãos vestiram os trajes dos árabes, penetraram no castelo de Salúquia e conquistaram-no. Diz-se que Salúquia, para morrer em honra ou por desgosto, se atirou da torre do castelo. Desde então, a povoação ficou conhecida por Moura.

Economia
O distrito de Beja é uma rica zona cerealífera, onde a cultura mais importante é o trigo. Na extensa charneca, para além da cultura dos cereais, destacam-se a produção de azeite, a extração de cortiça e a criação de gado (ovinos, bovinos e suínos). O subsolo é rico em minérios, sobressaindo as minas de cobre e estanho de Neves Corvo e as pirites de Aljustrel. Explora-se ainda a extração do mármore e do granito.
Em relação ao turismo, são muito procuradas as praias desde Vila Nova de Milfontes até a alguns quilómetros do cabo Sardão e as terras do interior, que oferecem condições para a prática da caça, da pesca e de todos os desportos náuticos.
O artesanato típico passa pelas peles e pela cestaria, pelas obras em madeira, em cortiça e em vime, pela cerâmica e pelos barros, pela latoaria, pelos cobres martelados, pelo ferro forjado, pelas rendas e pelas mantas.
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