Béla Bartók

Compositor, pianista, folclorista e professor húngaro, nasceu em 1881, em Nagyszentmiklós, na Hungria, e morreu em 1945, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, vítima de leucemia. Ficou célebre pela influência húngara nos seus principais trabalhos musicais, que incluem composições para orquestra, quartetos para cordas, solos de piano, uma cantata e várias canções tradicionais para voz e piano.
Revelou desde muito cedo o seu génio musical. Começou a estudar piano com a mãe e, apenas com 9 anos, compôs pequenas peças para dança. Algum tempo depois, ingressou no Conservatório de Budapeste e depressa se tornou um excelente pianista. Retomou a composição em 1902, depois de se sentir estimulado com a descoberta da música de Richard Strauss. Inspirado no crescente espírito nacionalista húngaro, com 22 compôs o poema sinfónico Kossuth, retratando, ao estilo de Strauss, embora com influências húngaras, a vida do patriota Lajos Kossuth, que liderou a revolução de 1848-49. Pouco antes de acabar os seus estudos, com a ajuda do compositor húngaro Zoltán Kodály, descobriu que a música tradicional húngara era, nem mais nem menos, a música característica dos ciganos. Seguiu-se uma série de composições que resultaram da pesquisa dos dois compositores e que foram publicadas com o objetivo de revitalizar a música húngara, mantendo a sua raiz etnológica e tradicionalista.
Bartók continuou a compor, especialmente peças para piano, para orquestra e uma série de seis quartetos para cordas que representaram uma das suas realizações mais impressionantes. O primeiro quarteto (1908-09) revela a influência de alguns traços da música tradicional; o segundo (1915-17) reflete vários elementos árabes, fruto da compilação feita por Bartók, durante uma viagem ao Norte de África; o terceiro (1927) e o quarto (1928) foram compostos com uma dissonância mais intensa; o quinto (1934) e o sexto (1939) surgiram como uma reafirmação da tonalidade tradicional.
Em 1911, Bartók compôs a sua única ópera, Bluebeard's Castle, um tratamento alegórico da lendária esposa assassina (a ópera só foi tornada pública sete anos mais tarde, alvo de alguma censura por parte do regime político); o ballet The Wooden Prince (1914-16); e a pantomina The Miraculous Mandarin (1918-19). Os seus anos mais produtivos foram as duas décadas que se seguiram à Primeira Guerra Mundial, quando a sua linguagem musical se tornou completamente expressiva. Nesse período, compôs dois concertos para piano e orquestra; um concerto para violino; o seu único trabalho coral, Cantata Profana (1930); e vários instrumentais, incluindo Music for Strings, Percussion and Celesta (1936) e Sonata for Two Pianos and Percussion (1937). Nessa altura, deu vários concertos de piano em vários países da Europa Ocidental, nos Estados Unidos da América e na União Soviética. Com o avanço nazi sobre a Europa, Bartók emigrou para os EUA. Os seus últimos anos de vida foram marcados pelos sucessivos ataques de leucemia. No entanto, ainda compôs Concerto for Orchestra (1943), Sonata for Solo Violin (1944) e Third Piano Concerto (1943). Quando morreu, em 1945, a composição em que trabalhava, Concerto for Viola and Orquestra, foi deixada incompleta.
Durante a sua vida, Bartók publicou vários estudos sobre a música tradicional húngara e romena. E, apesar de ter sofrido bastantes influências de Richard Strauss, de Claude Debussy, de Franz Liszt, de Igor Stravinsky e de Arnold Schoenberg, criou o seu estilo nacional húngaro, tornando-se um dos compositores mais importantes na música ocidental e uma referência no apego às raízes etnológicas da música.
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