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Bento XIII (antipapa)

Antipapa espanhol, sucessor de Clemente VII, foi eleito pelos seus partidários, que decidiram continuar a sustentar a sua causa, não reconhecendo o papa romano de então, Bonifácio IX.
Tomando o nome pontifical de Bento XIII, tinha sido batizado com o de Pedro Martínez de Luna, tendo nascido no ano de 1328 em Aragão, mais propriamente na localidade de Ilueca. Em 1375 tinha-lhe sido dado o título de cardeal de Santa Maria in Cosmedin. Foi eleito antipapa a 28 de setembro de 1394, mantendo-se à frente da cúria de Avinhão até 1423, já findo o Cisma.
Bento cedo se viu carente de apoios, uma vez que, tendo escrito ao rei Carlos VI de França dizendo que a sua intenção primordial era resolver o cisma, este não viu qualquer utilidade em continuar o papado de Avinhão depois de em maio de 1395 os duques de Orléans, de Berry e da Borgonha lhe terem pedido para abdicar. Este pedido surgiu na sequência de uma reunião clerical, realizada em Paris no mês de fevereiro do mesmo ano e dirigida pelo patriarca de Constantinopla (Simão Cramaud), onde se considerou que esta medida era a mais adequada. Contudo, Bento não aceitou a decisão, uma vez que entre as leis da Igreja se encontrava a que dizia que nenhum papa pode ser obrigado a renunciar ao trono pontifical. Em contrapartida, sugeriu a realização de uma reunião entre os dois pontífices para que se chegasse a um consenso, que seria, em último caso, o de abdicarem conjuntamente, deixando que outro fosse eleito segundo todos os preceitos. Esta proposta foi recusada, em 1396, tendo também os cardeais enviados por Pedro de Luna a Bonifácio IX com a mesma mensagem recebido uma resposta igualmente negativa. Como tanto o clero como os senhores temporais tinham todo o interesse em ver o assunto resolvido, decidiu-se numa reunião de clérigos franceses, em maio de 1398, que França não enviaria mais rendas a Bento XIII, ato seguido por Castela e que tinha como objetivo privar o antipapa do principal apoio. A maioria dos cardeais abandonou a corte de Avinhão e o palácio papal foi sitiado pelos franceses.
Nesta última reunião, foi também instituída a regra de submissão da Igreja ao rei, o que foi bem aceite na altura mas que posteriormente (sobretudo a partir de 1402) começou a verificar-se extremamente prejudicial para o clero. Foi assim que Bento conseguiu valiosos apoios políticos e foi aclamado em outubro de 1403. Instalando-se em Marselha, enviou legados, em 1404, para finalmente conversar com Bonifácio, que entretanto morreu.
Após uma série de tentativas de o forçar a abdicar, acabou por ser deposto por decreto a 26 de julho de 1417. Contudo, uma vez que não renunciou por vontade própria, continuou a ser pontífice até à sua morte, em Peñíscola, rodeado por alguns apoiantes mas sem qualquer poder.
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